Marine le Pen afirmou que não se candidatará à presidência francesa caso seja condenada a cumprir pena com pulseira eletrónica, mesmo que a proibição de concorrer a eleições venha a ser suspensa, noticiou esta quinta-feira o jornal ‘POLITICO’. A líder da extrema-direita deixou a garantia numa entrevista à ‘BFMTV’, a primeira desde que os procuradores pediram a manutenção da sua inelegibilidade.
Os magistrados requereram uma pena de quatro anos de prisão, dos quais três suspensos, e uma multa de 100 mil euros. Em França, penas mais curtas são frequentemente convertidas, o que poderia significar alguns meses a um ano em prisão domiciliária com vigilância eletrónica, caso o tribunal siga as recomendações do Ministério Público.
Le Pen rejeitou essa hipótese como incompatível com uma campanha eleitoral. “Não é possível fazer campanha nessas condições”, afirmou, questionando como poderia participar em comícios e encontros noturnos com eleitores usando pulseira eletrónica. Para a dirigente da Reunião Nacional, tal cenário equivaleria a uma forma indireta de a impedir de concorrer.
“Não estou resignada, estou lúcida. Sei que a decisão não depende de mim”, acrescentou.
A líder foi considerada culpada no ano passado por desvio de fundos do Parlamento Europeu através do seu partido. O acórdão do recurso está previsto para 7 de julho. De acordo com o ‘POLITICO’, o tom de Le Pen tem evoluído de combativo para mais cauteloso, à medida que as probabilidades de reverter a decisão parecem diminuir.
Apesar de liderar as sondagens para a primeira volta das próximas presidenciais, a incerteza judicial está a atrasar o arranque formal da campanha do partido. Le Pen já admitiu que poderá ceder o lugar a Jordan Bardella, de 29 anos, atual presidente da Reunião Nacional, caso fique impedida de disputar um quarto mandato.
Segundo declarou, tanto ela como Bardella começarão a preparar-se para a campanha após as eleições municipais do próximo mês. Mesmo que não seja candidata, Le Pen garantiu que continuará envolvida, embora sem tentar condicionar ou ofuscar o seu sucessor político.
Após a condenação em primeira instância, Le Pen e aliados criticaram duramente os juízes, com Bardella a afirmar que a democracia francesa tinha sido “executada”. No entanto, durante o processo de recurso, a dirigente adotou um discurso mais moderado, ainda que admita não confiar plenamente no sistema judicial.
“Disse o que pensava após o primeiro julgamento… Gostaria de ter confiança [na justiça]… talvez essa confiança possa ser restaurada”, declarou.



