Aproveitando o vento positivo da semana passada os investidores começaram esta nova série de cinco dias com otimismo, o que acabou por levar os índices norte-americanos para níveis superiores dos alcançados na quinta-feira, depois da reação negativa de sexta-feira em resposta aos dados dos non-farm payrolls, que pela sua robustez viraram a balança das previsões para uma continuação da agressividade do FED, no sentido de regularizar a sua política monetária, havendo mesmo analistas que antecipam uma subida de 1% na próxima reunião, sendo no entanto agora mais consensual um aumento de 0.75%.
Ou seja, após um período em que dominou a incerteza sobre qual seria a decisão dos membros do FED para o próximo capítulo desta saga, os dados do trabalho deixaram pouca ou nenhuma dúvida, contudo é de realçar que tal como já aqui referi em análises anteriores, o mercado laboral costuma ter um atraso em relação ao comportamento da economia, pelo que o sentimento de mercado poderá reagir ainda mais acentuadamente consoante os números da inflação que vão sair durante o mês, nomeadamente já esta semana, com o Consumer Price Index na quarta-feira e o Producer Price Index um dia depois.
Serão estes os catalisadores para a próxima onda do mercado, uma vez que correlacionam com o que o FED poderá fazer nas próximas reuniões, sendo que nesta fase começa a ser notório uma maioria de previsões que apontam para que o pico da inflação já tenha sido atingido, portanto, caso os números que vão ser conhecidos nas próximas horas fundamentem essa ideia, é possível que possa ocorrer um alívio da pressão vendedora, no entanto tal não é de todo garantido, pois também poderão indiciar a possibilidade de uma recessão na maior economia do mundo em 2023. Portanto, o cenário está em aberto, com o aumento da volatilidade a ser o resultado que se poderá esperar com maior grau de certeza, independentemente do sentido que vai ser imprimido pelos investidores.

O principal índice está muito perto das médias móveis e de uma linha de tendência que poderá ser zona de resistência adicional.
Marco Silva
Consultor da ActivTrades




