O movimento Menos Ecrãs, Mais Vida quer ver alargada a proibição do uso de smartphones nas escolas, defendendo que a medida deve abranger, pelo menos, todos os alunos até ao final do 3.º ciclo, ou seja, até ao 9.º ano, já no próximo ano letivo. Atualmente, os telemóveis estão proibidos nos estabelecimentos de ensino apenas até ao 6.º ano de escolaridade, uma limitação que o movimento considera insuficiente face ao impacto transversal do problema.
De acordo com a Rádio Renascença, o movimento enviou uma carta ao ministro da Educação a solicitar uma audiência para discutir o alargamento da medida. O pedido surge oito meses depois de ter questionado Fernando Alexandre sobre os planos para regulamentar o uso de telemóveis entre o 7.º e o 12.º anos, sem que tenha obtido resposta. Para os responsáveis, não faz sentido que alunos partilhem o mesmo espaço escolar com regras distintas relativamente ao acesso a smartphones.
Em declarações à Renascença, Mónica Pereira, porta-voz do movimento, afirma que está a dar voz às preocupações das famílias que a têm contactado. “As famílias pedem e querem mais, porque não é aceitável que no mesmo espaço escolar existam diferentes regras para um problema que impacta todos os alunos e que vão do 5.º ano até ao 12.º ano. Não fiquemos pelo 9.º, mas pelo menos pedimos que a proibição vá até ao 9.º”, sublinha. A responsável alerta ainda para os riscos a que os alunos mais novos podem ficar expostos ao partilharem recreios com colegas mais velhos que continuam autorizados a usar telemóvel: “Como partilham os mesmos espaços, poderão ter acesso a tudo o que os mais velhos decidirem procurar naquele momento: pornografia, jogar online nos recreios, um mundo infinito de scrolls e de likes.”
O debate intensificou-se numa altura em que algumas escolas já optaram por alargar internamente a proibição até ao 9.º ano, apesar de a regra nacional abranger apenas até ao 6.º ano desde o início do atual ano letivo. O ministro da Educação admitiu recentemente que o Governo “não terá problemas” em estender a proibição até ao final do 3.º ciclo, caso os benefícios se revelem evidentes. À margem da sessão comemorativa do 52.º aniversário da Universidade do Minho, Fernando Alexandre explicou que a decisão dependerá das conclusões de um estudo a realizar.
Para o governante, trata-se de “uma medida que está a ser muito bem aceite, seja pelas escolas, seja pelos pais” e, por isso, o alargamento “é uma possibilidade”. “Se os benefícios forem evidentes, o Governo não terá problemas”, reforçou. Enquanto aguarda desenvolvimentos, o movimento Menos Ecrãs, Mais Vida insiste na necessidade de uniformizar regras no espaço escolar e de garantir maior proteção aos alunos mais novos, defendendo que o atual modelo cria desigualdades dentro do mesmo recreio.







