O Exército português está prestes a alcançar o maior aumento de militares da última década, invertendo uma tendência de “queda livre” que se prolongava desde 2013. De acordo com números avançados à CNN Portugal, prevê-se que, até ao final de 2025, a instituição some entre 500 a 700 novos militares, o equivalente a mais um batalhão.
Em 2024, já se tinha registado uma “inflexão da curva” de efetivos, que permitiu estancar a saída de militares. Agora, os dados mais recentes confirmam um crescimento sólido. “Hoje posso dizer, com alguma satisfação, que estamos a crescer. Se nos correr como está a correr, chegamos ao final do ano com o equivalente a um batalhão”, afirmou o major-general Dias Martins, chefe da Direção de Recursos Humanos do Exército, em declarações exclusivas.
Atualmente, o Exército português conta com 12.593 efetivos, incluindo 1.729 civis. O objetivo traçado para 2025 é atingir entre 13.300 e 13.500 militares, aproximando-se das exigências legais que determinam um contingente mínimo de 32 mil elementos nas Forças Armadas. O ponto mais crítico da última década verificou-se em 2024, quando o número de praças caiu para 3.953, muito longe dos 11.651 registados em 2007. Apenas em 2020, devido ao congelamento de contratos imposto pela pandemia, esta queda foi travada.
O cenário começou a mudar em 2025, com o contingente de praças a subir para 4.124 até 31 de julho. O major-general atribui este resultado a um novo paradigma de recrutamento, centrado na atração da Geração Z através das redes sociais e de campanhas locais. Este ano, o Exército abriu sete ciclos de recrutamento, muito acima dos restantes ramos, assegurando que os jovens não desistem por falta de vagas imediatas.
Outra medida determinante foi a criação do Quadro Permanente de Praças, que garante estabilidade profissional a soldados e cabos. Todos os anos são abertas 110 vagas, disputadas por cerca de 700 candidatos. A maioria das inscrições concentra-se nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo (34%) e Norte (33%), seguindo-se o Centro (15%), Alentejo (6%), Açores (5%), Madeira (4%) e Algarve (3%).
Além das políticas de recrutamento, a modernização das condições de vida tem sido central. Com financiamento de 31 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), estão em curso seis projetos de requalificação, incluindo a reabilitação de 427 Unidades de Alojamento Urgente e Temporário, orçada em mais de 23 milhões. “Hoje os nossos militares já não vivem em casernas, amontoados. Isso não se compadece com esta geração. E isso obriga-nos a ter quartos e não casernas. Mais condições nos quartos e menos gente por instalação”, sublinhou Dias Martins.
Este crescimento coincide com o aumento do investimento em Defesa. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, comprometeu-se a aplicar mais de 2% do PIB no setor até ao final do ano, com um reforço orçamental estimado em mil milhões de euros, destinado a equipamento, investigação e salários.
A valorização da carreira militar também se reflete nas remunerações: o salário médio líquido das Forças Armadas subiu 19% no último ano, o que corresponde a mais 286 euros mensais, fixando-se nos 1.802 euros. Nos últimos dois anos, o aumento acumulado chega aos 40%, colocando a remuneração média dos militares muito acima da evolução da média nacional, que cresceu apenas 7%.














