As ameaças de ação militar de Donald Trump contra o Irão aumentam o receio de um colapso regional, alerta um alto funcionário iraniano à revista ‘Newsweek’. A onda de protestos que começou a 28 de dezembro último e se intensificou a 8 de janeiro já provocou pelo menos 3.117 mortes segundo autoridades iranianas, com estimativas de organizações internacionais a indicarem mais de 5.000 vítimas e quase 13.000 casos em investigação.
O funcionário iraniano alertou que um eventual colapso do Governo de Teerão traria consequências graves para toda a região, beneficiando apenas Israel, principal aliado dos EUA no Médio Oriente. “Um colapso regional não interessa a ninguém. O único que se beneficiaria seria Israel”, afirmou. A diplomacia surge, nesta perspetiva, como a única alternativa viável face às tensões crescentes.
Enquanto isso, Trump anunciou o envio do Grupo de Ataque do Porta-Aviões ‘USS Abraham Lincoln’ para a região, garantindo que todas as opções estão sobre a mesa caso o regime iraniano continue a reprimir os manifestantes. O governo iraniano, por sua vez, rejeita alegações de Trump sobre execuções em massa, sublinhando que os números referidos são falsos.
Contexto militar e geopolítico
A situação é agravada pela presença de Israel, que segundo o alto funcionário iraniano incentiva apelos por intervenção militar. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel está preparado para novos ataques e que pretende “mudar a face do Médio Oriente”, enquanto países aliados, como a Turquia, criticam possíveis ações unilaterais.
O histórico recente da região inclui a chamada Guerra dos Doze Dias, desencadeada por ataques israelenses a instalações nucleares e de defesa iranianas, com retaliações do Irão através de mísseis e drones. O conflito evidenciou o envolvimento de múltiplos atores regionais e complicou ainda mais a estabilidade do Médio Oriente.
Protestos internos e grupos de oposição
O Governo iraniano alega que militantes treinados fora do país infiltraram-se nos protestos, enquanto ativistas e organizações de direitos humanos responsabilizam as forças de segurança pelas mortes. Grupos dissidentes curdos e árabes também protagonizaram ataques durante as manifestações, complicando a avaliação do número de vítimas e a responsabilização dos incidentes.
O alto funcionário iraniano descreve os protestos como um esforço coordenado para desestabilizar o país, envolvendo elementos previamente ligados ao Estado Islâmico e treinados em território estrangeiro. A tensão aumenta, com o Irão a sublinhar que não hesitará em reagir caso seja alvo de um novo ataque militar.













