Um grupo de generais reformados e funcionários de defesa da NATO pediram que os EUA continuassem no Tratado do Regime de Céu Aberto (OST na sigla em ingês), assinado em 1992 em conjunto com a Rússia e alguns países europeus, deixando contudo um alerta à Europa, para que se prepare para uma eventual saída do país.
Uma declaração conjunta de um grupo de 16 comandantes militares e ministros da Defesa reformados, coordenada pela Rede Europeia de Liderança (ELN, na sigla em inglês) divulgada esta terça-feira, revela que o OST sempre foi «um pilar vital da estabilidade entre as potências nucleares».
«Com 34 estados-membros, incluindo os Estados Unidos, Rússia e a maioria dos países europeus, o acordo multilateral facilitou 1.517 avisos a curto prazo e sobrevoos desarmados», pode ler-se no comunicado, que acrescenta ainda que «ao longo da sua operação o tratado aumentou a transparência e a previsibilidade militar, ajudou a criar confiança e a aprimorar o entendimento mútuo».
Os signatários da declaração incluem o general David Richards, o ex-chefe do Estado-Maior da Defesa do Reino Unido, o general Klaus Naumann, o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Alemãs, e o general Bernard Norlain, o ex-comandante de Combate Aéreo da Defesa Aérea da França.
Todos concordam que a Europa pode vir a ser o maior perdedor de uma saída dos EUA. «Embora as vantagens de informação e construção de confiança sejam limitadas para os EUA, continuam a ser muito reais para os aliados da NATO.
Os ex-oficiais e ministros da Defesa referiram que as violações do tratado por parte da Rússia, podem ser uma das razões para a saída dos EUA.
Segundo fontes americanas, o secretário da defesa dos EUA, Mark Esper, e o secretário de Estado, Mike Pompeo, estão determinados a sair do acordo, que os líderes europeus e os defensores do controlo de armas acreditam reduzir o risco de uma guerra, com princípios que assentam sobretudo na transparência.
Se os EUA efectivamente saírem do tratado, vão perder o direito de realizar sobrevoos na Rússia, contudo esta última vai continuar a poder sobrevoar as instalações militares dos EUA na Europa.
Ainda assim, caso a saída se confirme, o grupo de generais refere que os aliados da NATO devem continuar no acordo, observando que os estados europeus realizam 55% dos voos e estão sujeitos a quase 59% dos sobrevoos russos. Os estados europeus não têm a capacidade de vigilância por satélite dos EUA, por isso são particularmente dependentes de voos em regime de céu aberto.
No comunicado pede-se que as restantes partes do tratado se reúnam dentro de dois meses após a saída dos EUA (caso se confirme) para discutir como o acordo vai funcionar sem Washington.
«É importante que os governos da Europa Ocidental estejam preparados para isto», disse Andreas Persbo, director de pesquisa do ‘European Leadership Network’ (ELN). «Para eles, esse tratado tem algum valor, e seria do seu interesse continuar a sobrevoar a Rússia, e a Rússia gostaria de continuar a sobrevoar a Europa Ocidental. A questão é se isso pode ser mantido sem que a Rússia exija um preço muito alto aos governos ocidentais», refere.














