Texto de Jorge Farromba
A primeira nota que surge quando olhamos para a traseira do A3 é o número 35. Estranho. Será um 3.5? Nada disso!
O que se passa é a que Audi decidiu nomear as versões de cada modelo e, para isso, definiu um range de valores de potência para os encaixar, colocando a seguir ao modelo, os números entre 30 a 70, perfilados de 5 em 5. Por exemplo, o nosso A3 com 150 CV é um A3 35, mas o A3 com 110 CV é um A3 30. Será algo que hoje estranhamos e que a marca acredita nos vamos habituar.
Esclarecida a dúvida é hora de tirar os primeiros apontamentos do A3. Exteriormente adota uma personalidade mais vincada e com uma estática mais angulosa com recurso a uma grelha hexagonal de grandes dimensões e em ninho de abelha e, sendo um S Line, com uma maior presença de apontamentos estilísticos de tomadas de ar.
As óticas são também uma novidade e mesmo em LED reforçam a desportividade que, em meu entender, a marca tenta transmitir. Não surgem nesta versão os faróis “inteligentes” do GOLF que tão boas impressões deixaram no ensaio e que representam um incremento de visibilidade e segurança. A zona lateral mantém o ADN do A3, e neste particular com jantes de 19” sendo que atrás os faróis surgem mais estilizados e proeminentes mas sempre com a presença dos LED’s.
Interiormente, a marca operou uma enorme revolução no desenho do tablier. Se anteriormente o painel do A3 era mais linear e minimalista e menos sedutor; neste a marca inverte essa tendência num tablier com várias formas e que apela a dinamismo, onde o recurso a vários apontamentos com cores, formas e materiais distintos operam uma jovialidade que tem o intuito de cativar o cliente.
Bem sentados nuns bancos desportivos com bom apoio lateral e apoio para a parte anterior dos joelhos vislumbramos um painel de instrumentos totalmente digital, ladeado por duas saídas de ar e um ecrã central claramente voltado para o condutor com um sistema de infotainment totalmente novo, um banco com uma pega e tamanho ótimo, recortado em baixo e, com uma consola central, mais arrojada que o modelo anterior com espaço próprio para carregar o nosso telemóvel.
Contrariamente ao Golf, o A3 mantém alguns dos seus botões em formato tradicional – sem touch. A qualidade dos materiais e montagem estão num bom plano com muitos plásticos moles à frente e na traseira com recurso à mesma qualidade dos produtos mas, como quase toda a concorrência, com plásticos mais rijos. Falando da traseira nota-se agora mais espaço interior tanto para as pernas como para a cabeça.
E, sem demoras estabelece-se o plano para o dia seguinte. Redescobrir a Nazaré e a Estrada Atlântica. Os primeiros quilómetros foram efetuados em cidade onde deu para perceber que as suspensões são “mais fechadas” neste modelo em concreto, com várias opções de personificação da condução – efficiency, conforto, auto, dynamic e individual que efetivamente alteram o modo de condução.
Em qualquer uma delas nota-se a precisão do eixo dianteiro e o comportamento do modelo, onde a caixa de 6 velocidades muito desmultiplicada marca presença. Pessoalmente, começo a gostar cada vez mais das automáticas, pelo conforto proporcionado mas também pela “inteligência com que já leem a estrada”! De resto, em cidade revelou-se como seria expetável, ou seja, competente.
Primeiros quilómetros em autoestrada sob chuva intensa deu para perceber que a insonorização foi bem conseguida mas também que o modelo incute confiança à chuva e a curvar. Em estrada nacional, a leitura foi a mesma. Competente, com um chassis muito eficaz e sobretudo com uma boa inserção em curva.
Na Nazaré, o A3 foi conhecer o Sítio e sobretudo perceber onde está a Praia do Norte com as suas carismáticas ondas gigantes. Dada a copiosa chuva foi ótimo apreciar que o interior se manteve quente (os bancos aquecidos deram jeito!!) e o sistema de climatização foi sempre eficaz ao manter uma atmosfera seca no interior e nos vidros.
Tinha para este ensaio definido ir conhecer a Estrada Atlântica, uma nacional da Costa Oeste, paralela ao mar com grandes retas e sobretudo um agradável cheiro a mar, onde entramos no Pinhal de Leiria.
Foi aqui que deu também para compreender do que é feito e para que foi pensado o A3. Um automóvel que pretende apostar muito na estética mantendo o rigor da marca e sobrelevando a anterior competência do modelo anterior do A3, que neste modelo de 150 CV não usa já barra de torção.

Em termos de consumos realizámos médias quase sempre superiores a 7 – 7,1 a 7,3l – para este 4 cilindros com 1.500cm3 (em autoestrada e com cruise control a 90km/hora fizemos 4,3l), com vários apontamentos em alumínio no interior, bancos aquecidos com um preço final perto dos 37.000€ mas que com os extra incorporados o valor supera os 50.000€, por itens como o pacote SLine, JLL, sistema de navegação, suspensão, bancos aquecidos.












