Eletricidade: A tarifa indexada sai mais cara que a pior tarifa fixa disponível

Por André Nunes, Senior Team Leader de Energia do ComparaJá

Executive Digest com ComparaJá.pt

Durante quase três anos, a tarifa indexada foi vendida em Portugal como a escolha dos consumidores informados. Quem acompanhava o mercado grossista, quem percebia de energia, quem não tinha medo de olhar para a fatura: essa pessoa estava no indexado, e quem estava numa tarifa fixa pagava um prémio pela preguiça. Agosto de 2026 desmontou esse argumento de forma que dificilmente admite leitura ambígua.

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Nas simulações de Agosto, uma família típica com um consumo de 400 kWh e uma potência contratada de 6,9 kVA pagaria 98,78 euros na tarifa indexada. A oferta mais cara do mercado livre, entre as tarifas de preço fixo, custaria 97,21 euros. O indexado ficou acima da pior tarifa fixa disponível, e ficou 25,45 euros acima da melhor, que se ficou pelos 73,33 euros. Num único mês, o produto que existia para poupar tornou-se o mais caro do mercado.

Convém dizer o que isto significa e o que não significa. Não significa que a tarifa indexada seja um mau produto, nem que quem a escolheu tenha decidido mal. Significa que o indexado nunca foi uma tarifa: é a ausência de tarifa. Quem adere está a comprar eletricidade ao preço do mercado grossista, com uma margem por cima, e o que recebe no fim do mês é o resultado de decisões que se tomam em Espanha, na Alemanha e nos mercados de gás, não em casa. Nos anos em que o mercado grossista esteve barato, isso foi uma vantagem. Neste verão, com o calor a manter o consumo em máximos e os preços grossistas de novo sob pressão, é o contrário.

O erro de leitura está na palavra risco. Um consumidor doméstico não tem estrutura para gerir risco de mercado. Não pode cobrir posições, não pode adiar consumo de forma significativa, e não tem reserva orçamental para absorver um mês em que a fatura sobe 30%. Quando uma família fica no indexado, não está a gerir risco: está a aceitar um resultado que não controla. A diferença entre estas duas coisas é a mesma que separa investir de apostar, e a linguagem do setor tem sido pouco rigorosa a distingui-las. A comparação entre tarifa indexada e tarifa fixa devia começar por aí e raramente começa.

Há, ainda assim, uma leitura positiva neste episódio, e é a que interessa a quem tem uma fatura para pagar. A dispersão de preços entre comercializadoras está maior do que nunca. Nos consumos mais elevados, a diferença entre a oferta mais cara e a mais barata do mercado aproxima-se dos 700 euros por ano. Uma família típica pode poupar cerca de 287 euros anuais sem alterar um único hábito de consumo, apenas por comparar propostas de eletricidade e mudar de contrato. Num mercado em que os preços convergem, comparar rende pouco. Num mercado disperso como o atual, comparar é a decisão financeira com melhor retorno por minuto investido que uma casa portuguesa tem à mão.

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O que agosto ensina não é que se deva fugir do indexado por princípio. É que a escolha entre preço fixo e preço de mercado tem de ser feita com base na capacidade de absorver oscilação, e não com base na sensação de estar do lado certo. Para a maioria das famílias portuguesas, essa capacidade é limitada e a resposta correta é a mais aborrecida: saber quanto se vai pagar, e saber isso com antecedência suficiente para o orçamento do mês não depender do tempo que fez.

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