Inteligência artificial consegue prever risco de incêndios mais perigosos com até 16 dias de antecedência

O sistema combina inteligência artificial, imagens de satélite, informação meteorológica, dados florestais e computação em nuvem para produzir mapas regionais de risco que podem ser utilizados por gestores florestais, administrações públicas e serviços de prevenção de incêndios.

Executive Digest

Uma equipa de investigadores desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial capaz de antecipar, com até 16 dias de antecedência, o risco de incêndios de copa, considerados entre os mais perigosos devido à velocidade de propagação e à dificuldade de controlo.

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Segundo a agência EFE, a plataforma chama-se CROWNFIRE-AI e foi criada por investigadores da Universidade de León, em colaboração com especialistas da Universidade de Valladolid e da empresa tecnológica Vexiza SL.

O sistema combina inteligência artificial, imagens de satélite, informação meteorológica, dados florestais e computação em nuvem para produzir mapas regionais de risco que podem ser utilizados por gestores florestais, administrações públicas e serviços de prevenção de incêndios.

Incêndios de copa propagam-se muito mais depressa

Os incêndios de copa ocorrem quando o fogo atinge as partes superiores das árvores e passa a propagar-se através delas.

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Este comportamento é comum em incêndios florestais extremos e pode fazer com que as chamas avancem entre duas e quatro vezes mais depressa do que num incêndio de superfície.

A rapidez de propagação e a elevada intensidade tornam também mais difícil o trabalho de combate.

De acordo com a agência EFE, os investigadores alertam que este tipo de incêndio está a tornar-se mais frequente em várias regiões do mundo, num contexto marcado pelas alterações climáticas, ondas de calor, secas prolongadas, despovoamento rural e acumulação de material combustível nas florestas.

Sistema foi treinado com 33 grandes incêndios em Espanha

Para desenvolver a ferramenta, a equipa analisou dados relativos a 33 grandes incêndios florestais registados em Espanha entre 2017 e 2024.

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A partir dessa informação foi construída uma base de dados com 18.874 pontos de referência, utilizada para treinar o algoritmo de inteligência artificial.

O sistema cruza imagens dos satélites Sentinel-1 e Sentinel-2, da Agência Espacial Europeia, dados MODIS da NASA, informação topográfica, inventários florestais e previsões meteorológicas do Sistema Global de Previsão.

Com base nestes elementos, a plataforma calcula a probabilidade de um incêndio desenvolver comportamento de copa numa determinada área.

Ferramenta foi pensada para utilização prática

Um dos principais objetivos do projeto foi transformar técnicas complexas de deteção remota e aprendizagem automática numa ferramenta que possa ser utilizada sem conhecimentos avançados de programação ou análise geoespacial.

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A CROWNFIRE-AI está alojada em servidores da Universidade de León e pode ser utilizada gratuitamente mediante registo.

O estudo foi liderado por José Manuel Fernández Guisuraga, investigador afiliado no Instituto para o Ambiente e Alterações Globais da Universidade de León, e foi publicado na revista científica Ecological Informatics.

Embora a ferramenta tenha sido treinada e validada com informação de incêndios ocorridos em Espanha, os investigadores admitem que a metodologia possa futuramente ser adaptada a outras regiões expostas a grandes incêndios florestais, desde que sejam realizados os necessários processos de calibração e validação.

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