Do vinho à cortiça: as expectativas (e receios) dos sectores

O impacto da eleição de Trump na economia e negócios de Portugal. Frederico Falcão, Presidente da Vini Portugal

Executive Digest

A Executive Digest quis também ouvir alguns dos setores mais importantes na exportação de produtos portugueses. Vinho, cortiça e calçado e derivados de pele são alguns dos mais destacados nos últimos anos. Como as principais associações representantes destes vários sectores veem a nova «ameaça» económica vinda dos Estados Unidos?

Frederico Falcão, presidente da Vini Portugal, a organização interprofissional do Vinho de Portugal que promove e representa o vinho português no estrangeiro, assume algumas preocupações, e nem todas vindas das recentes comunicações de Donald Trump. «Temos assistido nos últimos anos a uma baixa no consumo mundial de vinho. Se olharmos para essa quebra, verificamos que existe uma influência fortíssima com origem na China, onde o consumo caiu. Também no Canadá e nos Estados Unidos se tem verificado uma redução de consumo. Durante a administração Biden existiu alguma flexibilização para a substituição das bebidas alcoólicas por canábis. Aliás, no Canadá tem feito recomendações para o consumo de canábis, em detrimento de consumo de bebidas alcoólicas».



Concretamente às ameaças da Administração Trump ao aumento da taxação de produtos fora dos Estados Unidos, o presidente da Vini Portugal é pragmático ao indicar que «tudo o que venha a piorar a situação sobre o consumo de vinho, naturalmente é prejudicial». E aponta dois factores imediatos se tal suceder. «Uma possível pressão junto dos nossos produtores de para baixar o preço, e tentar que o consumidor não seja tão afetado nos Estados Unidos, que é naturalmente prejudicial porque algo que possa forçar os nossos produtores a baixarem preços é, naturalmente, prejudicial para nós. E no caso ade existir um aumento de preço do vinho».

Ameaças podem facilitar negociações
«Neste momento há uma incerteza muito grande». O setor do vinho – alavancado à exportação – continua sem certezas de possíveis tarifas impostas por Donald Trump. «Esta administração é conhecida pela sua imprevisibilidade, mas creio que tudo isto é um problema político também, quando há muita ameaça é mais fácil negociar».

Frederico Falcão acredita que os vinhos não serão alvo de ataque e ainda que venha a acontecer e ainda que leve a uma redução de consumo, «nada diz que Portugal não possa continuar a crescer». Sustenta a sua teoria: «ainda que o consumo decresça, podemos ganhar quota de mercado. É isto que tem vindo a acontecer, na maior parte dos países o que nós temos vindo a observar é que Portugal tem vindo a ganhar quota de mercado. Em alguns mercados onde o consumo total cresce, nós ganhamos quota e não por efeito de crescimento do mercado. Portanto, há aqui várias variáveis em cima da mesa. Neste momento estamos a olhar para isto com alguma preocupação, diria não excessiva». E isso mesmo indica alguma esperança do setor que o responsável acreditar poderá vir a tornar-se «o principal destino das nossas exportações, sobretudo pelo vinho do Porto». Ressalva, contudo, que este crescimento, presente e futuro, deve ser analisado ao que se passou em finais de 2024, com os importadores norte-americanos a anteciparem encomendas com receio das tarifas, «deste crescimento pode ter acontecido pela antecipação de compras. Significa isso que em 2025 poderemos ver um feito contrário, como menos compras. Portanto, vamos ver como é que tudo isto evolui, embora com alguma esperança e alguma confiança que o setor não será afetado».

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