A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) anunciou esta terça-feira ter encontrado “algumas toneladas de materiais nucleares” na Síria, num local até agora não declarado, depois de alertada por Damasco para este “legado” do regime anterior.
“Após a vossa corajosa decisão de nos informar da existência de outro local, de outra instalação onde tinham sido armazenados materiais nucleares, conseguimos aceder a esse local. […] Estamos a falar de algumas toneladas de materiais nucleares suscetíveis de serem utilizados indevidamente”, declarou Rafael Grossi, durante uma conferência de imprensa conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, em Damasco.
Por seu lado, o chefe da diplomacia síria, Asaad al-Shibani, explicou que o governo de Damasco enviou, a 17 de julho, uma carta oficial à AIEA a “declarar voluntariamente a presença de materiais nucleares num local não declarado, que faz parte do legado deixado pelo antigo regime” liderado por Bashar al-Assad.
O ministro indicou que uma equipa da AIEA “concluiu a visita ao local esta manhã e recolheu as amostras necessárias”.
Após uma sangrenta guerra civil que se prolongou por 14 anos, o regime de Bashar al-Assad foi derrubado em dezembro de 2024, tendo o ex-presidente fugido com a família para Moscovo durante a tomada de Damasco por uma coligação chefiada por Ahmad al-Sharaa, líder do grupo islamista sírio Organização de Libertação do Levante.












