O partido Chega ficou sem qualquer representação na Câmara Municipal do Funchal após a saída dos dois vereadores eleitos nas últimas eleições autárquicas, confirmando uma tendência de abandono que se tem intensificado nos últimos meses a nível nacional.
Luís Filipe Santos e Jorge Afonso Freitas decidiram abandonar o Chega, passando a exercer o mandato como independentes, o que deixa o partido de André Ventura sem vereadores na capital da Madeira. A informação foi avançada pelo Diário de Notícias da Madeira e confirmada por declarações de Luís Filipe Santos, que justificou a decisão com a inexistência de “condições políticas, éticas e estratégicas” para continuar no projecto regional do partido.
Em declarações ao jornal madeirense, Luís Filipe Santos apontou uma “degradação do ambiente político interno” e a “ausência de estabilidade” como factores determinantes para o afastamento. Entre os episódios mais graves, destacou a falta de representação da Região Autónoma da Madeira numa convenção autárquica nacional do Chega, afirmando que “todo o país esteve representado, menos a Região” e que essa informação foi “literalmente ocultada” aos eleitos regionais.
O agora vereador independente criticou ainda o funcionamento interno do partido na Madeira, considerando que o Chega “não é um partido viável” na Região e que se transformou numa estrutura que “serve apenas três ou quatro pessoas”. As críticas estendem-se à liderança regional de Miguel Castro, presidente do Chega-Madeira, cuja actuação é posta em causa por ambos os autarcas.
A saída dos dois vereadores do Funchal junta-se a um conjunto de abandonos registados em pouco mais de quatro meses, período durante o qual o Chega perdeu nove vereadores municipais. No início de Fevereiro, já eram sete os eleitos que tinham rompido com o partido, incluindo Ana Simões Silva, vereadora na Câmara Municipal de Lisboa, cuja decisão contribuiu para uma nova maioria absoluta no executivo liderado por Carlos Moedas.
Desde as últimas eleições autárquicas, registaram-se ainda abandonos em vários concelhos do país, com vereadores a manterem os mandatos como independentes, como aconteceu em Mirandela, Coimbra, Vila Nova de Gaia e Marinha Grande. Noutros casos, como em Odemira e Azambuja, os eleitos renunciaram ao cargo e foram substituídos por membros das listas do Chega.
Nas autárquicas de 12 de Outubro, o Chega registou um crescimento expressivo face a 2021, passando de 19 para 137 vereadores eleitos em todo o território nacional. Ainda assim, à semelhança do que ocorreu na legislatura anterior, em que 11 eleitos acabaram por abandonar o partido ou renunciar aos cargos, a sucessão de saídas levanta dúvidas sobre a estabilidade interna e a coesão do projecto autárquico liderado por André Ventura.














