Ao longo de 25 anos no poder, Vladimir Putin reuniu-se com cinco presidentes dos Estados Unidos — Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama, Donald Trump e Joe Biden — num total de 48 encontros oficiais. A próxima reunião, agendada para hoje com Donald Trump no Alasca, marcará o 49.º encontro entre o líder russo e um presidente norte-americano, numa sequência que evidencia a evolução complexa das relações entre Moscovo e Washington, da cooperação inicial após a Guerra Fria à desconfiança aberta em torno da Ucrânia.
Os primeiros passos com Clinton
O primeiro encontro entre Putin e um presidente norte-americano ocorreu em 2000, poucos meses antes de Bill Clinton deixar a Casa Branca. A ocasião serviu para a assinatura de acordos de cooperação sobre o controlo de mísseis em Moscovo e contou com momentos mais informais, como uma cerimónia simbólica de plantação de árvores no Japão. Este período inicial refletia um ambiente ainda marcado por tentativas de aproximação e confiança mútua.
Relação próxima com George W. Bush
George W. Bush foi o presidente dos EUA que mais vezes se encontrou com Putin, com um total de 28 reuniões. A relação começou com a célebre frase de Bush após olhar nos olhos de Putin: “Le encontrei muito directo e confiável, captei a sua alma”. Durante este período, ambos assinaram tratados de redução de armas estratégicas e participaram em eventos tão diversos quanto comemorações da Segunda Guerra Mundial em Moscovo ou encontros informais em ranchos e palácios.
Após os atentados de 11 de setembro de 2001, Putin foi o primeiro líder internacional a ligar para Washington a fim de expressar apoio, marcando um momento de sintonia entre os dois países.
Tensão crescente com Barack Obama
A relação com Barack Obama foi mais complexa e tensa. Ambos se encontraram nove vezes, mas a tensão aumentou significativamente após o regresso de Putin ao Kremlin em 2012. Washington criticou a repressão contra a oposição russa e o asilo concedido a Edward Snowden, enquanto Moscovo acusou o Ocidente de ingerência nos assuntos internos.
O ponto de ruptura ocorreu em 2014, com a anexação ilegal da Crimeia e a subsequente imposição de sanções a Moscovo. Apesar de tentativas de diálogo em fóruns internacionais, a última reunião com Obama, em 2016 na China, evidenciou uma distância irreconciliável sobre os conflitos na Síria e na Ucrânia.
Encontros controversos com Donald Trump
A fase com Donald Trump foi curta, mas marcada por polémica. Putin e Trump encontraram-se seis vezes, sendo a cimeira de Helsínquia, em 2018, a mais controversa. Nesse encontro, Trump questionou publicamente os relatórios das suas próprias agências de inteligência sobre a interferência russa nas eleições de 2016, dando crédito à negação de Putin. Esta postura provocou forte reação política em Washington e evidenciou a vontade de Trump de se afastar da política externa tradicional dos EUA.
Frieza e contenção com Joe Biden
Com Joe Biden, a relação manteve-se distante. O único encontro presencial aconteceu em Genebra, em 2021, quando tropas russas se concentravam na fronteira ucraniana. Durante três horas frente a frente, não houve avanços concretos, enquanto a repressão interna em Moscovo e o encarceramento de Alexéi Navalni dominavam a agenda internacional. Posteriormente, os contactos resumiram-se a chamadas e videoconferências tensas, interrompidas de forma abrupta após a invasão em grande escala da Ucrânia em 2022.
Próximo encontro em contexto de crise
Agora, com a economia russa pressionada por sanções e a guerra na Ucrânia prolongada, Putin procura em Alaska um novo fôlego financeiro ao encontrar-se com Donald Trump, numa tentativa de retomar algum diálogo bilateral. Este será o 49.º encontro do líder russo com um presidente dos Estados Unidos, continuando uma trajetória diplomática que acompanha as mudanças profundas na relação entre Moscovo e Washington ao longo de um quarto de século.














