Por Manuela Abreu, Diretora do Departamento de Nutrição da Nutrium
Os efeitos da inflação continuam a sentir-se quando vamos ao supermercado. Os sacos das compras chegam a casa mais leves e o peso no bolso de quem paga é maior. Neste contexto, ter uma alimentação saudável não é, para os consumidores, uma prioridade. O mais importante será assegurar a sustentabilidade do orçamento familiar. Mas deve-se saber: é possível conciliar a necessidade de “comer barato” com o dever de comer bem.
Há muitas dicas que podem ser adotadas para minimizar o impacto dos preços inflacionados na carteira e, neste domínio, os consumidores estão minimamente sensibilizados. Mantêm-se atentos a promoções, privilegiam cada vez mais as marmitas como alternativa às refeições em cafés ou restaurantes e aproveitam as sobras como “as compotas de amanhã”.
Mas o que é importante lembrar é que há outros intervenientes que podem – e devem – prestar apoio: as empresas. Em épocas de crise, é necessário ir além do foco de atrair novos talentos. É preciso ajudar os atuais colaboradores e dar-lhes condições que reforcem não apenas a poupança, ao nível da alimentação, mas igualmente o bem-estar e a saúde. Além da atribuição do subsídio de refeição – uma prática mais vulgarizada -, há 5 grandes medidas que qualquer empresa deve implementar para auxiliar os trabalhadores.
- Formação em alimentação e saúde
Para capacitar os colaboradores para fazerem escolhas alimentares informadas, saudáveis e mais baratas, a oferta de formação especializada em nutrição é uma mais-valia. Workshops ou webinars são formatos muito benéficos para promover estas ações de literacia alimentar.
- Oferta de acompanhamento nutricional
A presença de um nutricionista nas empresas permite levar a cada colaborador um plano alimentar personalizado, receitas com alto valor nutricional – mais acessíveis – e ferramentas que permitam conhecer produtos alimentares mais baratos. Adicionalmente, o nutricionista pode apoiar na criação de ementas semanais extensíveis a toda a família do trabalhador, especialmente quando o tempo – e o dinheiro – não abundam.
- Disponibilização de lanches saudáveis e de águas aromatizadas
Perante o ritmo acelerado de um dia de trabalho, pode ser difícil arranjar tempo para comer algo saudável. O recurso às máquinas de venda é uma opção para muitos colaboradores, mas nem sempre a ideal. Em contexto de trabalho presencial, a oferta de lanches saudáveis – fruta, frutos oleaginosos, tostas, queijos, ou até preparações como húmus de grão, bolo de banana ou mini quiches de vegetais, por exemplo – é uma iniciativa vantajosa.
A disponibilização de águas aromatizadas com fruta e ervas aromáticas, de igual modo, vai promover o consumo de água. Estas práticas permitem ainda libertar os colaboradores da necessidade de comprarem os lanches diários, gerando poupanças adicionais.
- Parcerias com empresas de combate ao desperdício
Além de também apoiarem financeiramente os trabalhadores, estas parcerias permitem combater o desperdício alimentar. A associação das empresas a entidades que comercializam bens alimentares que sobram em restaurantes, pastelarias e mesmo em supermercados é outro método para levar comida saudável e mais barata aos funcionários.
- Melhorar a oferta alimentar nas cantinas e bares
Várias empresas oferecem serviços de restauração nas respetivas instalações, mas, em diversos casos, os menus disponíveis são pouco variados e pouco saudáveis. É importante investir numa oferta alimentar acessível e com alto valor nutritivo para que os colaboradores possam fazer melhores escolhas no dia-a-dia.
Estas iniciativas, conjugadas com a consciencialização coletiva já existente, permitem aliviar a pressão que muitos trabalhadores sentem e reforçam o sentido de responsabilidade social que todas as empresas devem ter. Colocados em primeiro lugar, os colaboradores ganham não só mais dinheiro, mas também mais saúde.




