Como é que a Europa se está a preparar para potenciais ataques cibernéticos?

A guerra há muito que não é somente travada nos céus, mares ou terrenos de batalha e a invasão da Ucrânia pela Rússia fez crescer as preocupações de que ataques cibernéticos possam atingir os países europeus.

Francisco Laranjeira

A guerra há muito que não é somente travada nos céus, mares ou terrenos de batalha e a invasão da Ucrânia pela Rússia fez crescer as preocupações de que ataques cibernéticos possam atingir os países europeus, em particular as antigas repúblicas soviéticas – o banco central da Lituânia, por exemplo, alertou recentemente os bancos do país para se prepararem para cortes de energia e intrusões. O país partilha uma rede elétrica com a Rússia, juntamente com os seus vizinhos bálticos, Estónia e Letónia.

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É verdade que o grupo Anonymous declarou guerra cibernética à Rússia, tendo atacado bancos e ministérios russos, estações de televisão e sites de propaganda, e tornado públicos milhares de documentos confidenciais do Kremlin, mas a Rússia parece disposta a responder à altura.

Proteger os bancos

De acordo com o banco central da Lituânia, as empresas financeiras devem ter planos de contingência para ataques cibernéticos, como ransomware e ataques distribuídos de negação de serviço (DDOS), nos quais os cibercriminosos tentam sobrecarregar uma rede com grandes volumes de tráfego de dados. O banco também disse a outras empresas da área financeira para se prepararem para uma violação semelhante ao ataque cibernético de 2021 à SolarWinds, ligada a uma agência com sede na Rússia que visava centenas de empresas e organizações.

O próprio Banco Central Europeu (BCE) fez o alerta e alguns bancos e empresas já estão a testar a sua capacidade de resistir a tal ameaça.

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O centro nacional de segurança cibernética do Reino Unido alertou as organizações para monitorizar a sua resiliência cibernética após detetar um aumento nos ataques de ransomware da Rússia. O chefe da Autoridade Federal de Supervisão Financeira da Alemanha BaFin, Mark Branson, também alertou para a preocupante interação entre guerra cibernética e geopolítica.

Da mesma forma, a agência nacional de segurança cibernética da Itália alertou que a invasão da Ucrânia pela Rússia aumentará “os riscos cibernéticos aos quais estão expostas as empresas italianas que mantêm relações com operadoras localizadas em território ucraniano”.

Empresas privadas entram na ‘guerra’

Na quarta-feira passada, poucas horas antes de os tanques russos começarem a entrar na Ucrânia, foi disparado um alarme no Centro de Inteligência de Ameaças da Microsoft por um malware nunca antes visto visando ministérios do Governo ucraniano e instituições financeiras.

Em três horas, a Microsoft lançou-se numa guerra cibernética contra um inimigo que lutava a milhares de quilómetros de distância. O centro de ameaças, ao norte de Seattle, estava em alerta máximo e rapidamente desmontou o malware, denominado ‘FoxBlade’ e informou a mais alta autoridade de defesa cibernética ucraniana.

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Em três horas, os sistemas de deteção de vírus da Microsoft foram atualizados para bloquear o código, que apaga todos os dados dos computadores numa rede.

“Prepare-se, não entre em pânico”

Sandra Joyce, chefe de inteligência global da empresa de cibersegurança Mandiant, é da opinião de que “devemo-nos preparar, mas não entrar em pânico porque as nossas perceções também são o alvo”, acrescentando que muitos Governos e empresas ocidentais estão preparados para lidar com esses ataques apoiados pela Rússia.

O perigo de ciberataques, de qualquer forma, está no topo das preocupações da União Europeia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, mencionou “ataques híbridos e cibernéticos” num tweet, a 15 de fevereiro, ao apresentar as novas diretrizes de defesa europeias de Bruxelas.

Na Ucrânia, esses ataques estão em andamento – um ataque de malware, em janeiro último, travou os computadores de várias agências governamentais, dois grandes bancos ucranianos e o site do Ministério da Defesa foram atingidos. Mykhailo Fedorov, ministro da transformação digital da Ucrânia, disse que foi o ataque mais sério desse tipo no país.

Há uma semana, em resposta ao pedido da Ucrânia, Lituânia, Holanda, Polónia, Estónia, Roménia e Croácia ativaram as suas equipas de Resposta Rápida Cibernética para ajudar as instituições ucranianas “a lidar com as crescentes ameaças cibernéticas”. Foi a primeira vez que um projeto militar da UE, no âmbito da Cooperação Estruturada Permanente (PESCO), entrou em fase operacional.

Risco para a Europa

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O eurodeputado Bart Groothuis disse que o mesmo malware que ataca infraestruturas críticas na Ucrânia já foi detetado na Letónia e na Lituânia. A Agência da União Europeia para Segurança Cibernética emitiu diretrizes para fortalecer a segurança de organizações públicas e privadas na Europa em resposta à guerra na Ucrânia – o mesmo exemplo chegou dos Estados Unidos e no Reino Unido.

Lituânia, Holanda, Polónia, Estónia, Roménia e Croácia planeavam enviar uma equipa de especialistas em segurança cibernética para a Ucrânia, mas os planos foram gorados pela invasão russa.

Várias associações de tecnologia da Roménia, Moldávia, Lituânia, Eslováquia, Estónia, Hungria, Polónia e Finlândia pediram aos líderes da UE que implementassem um “escudo digital”. Porque a pergunta dos especialistas não é se haverá um ataque cibernético muito duro contra a infraestrutura europeia, antes perguntam-se quando esse ataque vai tomar forma.

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