Cinco mitos sobre o hidrogénio, segundo a APREN

A Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), contesta as declarações escritas por 55 personalidades, numa carta dirigida ao primeiro-ministro, António Costa, contra o hidrogénio e o sistema elétrico português. O documento, defende a Associação, «contém uma série de afirmações feitas pelos autores que, infelizmente, não correspondem à verdade».

Por esse motivo, o organismo criou um conjunto de cinco perguntas e respostas sobre o tema, que visam esclarecer a população sobre os «mitos» criados à volta do hidrogénio e contrapor os argumentos explícitos na carta enviada a Costa.

1) O hidrogénio vai tornar a eletricidade dos portugueses mais cara?

A APREN responde que não. «O custo da produção de hidrogénio (H2) Verde não vai tornar a eletricidade mais cara porque não será refletido na fatura do consumidor», esclarece o organismo sublinhando que «o Governo já garantiu que se esta tecnologia for beneficiária de mecanismos de suporte e estabilidade à produção, serão utilizadas para o efeito uma parte das verbas arrecadadas pelo Fundo Ambiental, que são provenientes das emissões de CO2, ou seja, de quem polui».

«Os mecanismos de estabilidade à produção de H2 Verde devem ser atribuídos às indústrias, sobretudo àquelas que são energeticamente intensivas e que requerem energia térmica de muito alta temperatura, como a do vidro, cimentos ou mesmo da cerâmica (entre outros), mas também neste caso a fatura do consumidor não será onerada, pois esse apoio será proveniente de fundos públicos nacionais – fundo ambiental – e fundos púbicos europeus», acrescenta ainda.

2) A dívida tarifária vai aumentar com a introdução do hidrogénio verde em Portugal?

Também aqui a resposta é negativa. «Como os custos de produção do hidrogénio não serão refletidos na fatura ao consumidor de eletricidade, a dívida tarifária não irá aumentar como resultado da introdução do H2 Verde», esclarece a APREN.

«A dívida tarifária do sistema elétrico português diz respeito sobretudo à acumulação de défices gerados em anos anteriores, o que aconteceu como forma de travar artificialmente o aumento dos preços da eletricidade por via do diferimento do sobrecusto das tarifas garantidas da Produção em Regime Especial», adianta ainda na mesma resposta.

3) Portugal pode controlar o preço da eletricidade no mercado grossista ibérico de eletricidade com políticas energéticas nacionais?

Segundo a APREN, não. «Portugal não pode controlar o preço da eletricidade no mercado ibérico de eletricidade (grossista) por meio de políticas energéticas nacionais, como defendem os subscritores da carta, porque falamos de um mercado liberalizado sujeito às regras de harmonização para o mercado único europeu de eletricidade e regras económicas da oferta e da procura», explica.

4) O preço da eletricidade de origem eólica permanecerá nos 80 euros/MWh até 2032?

Mais uma vez a resposta é não. «A Eletricidade eólica entrará num regime legal de remuneração definido por lei no Decreto Lei N.º 35/2013, que atribui um “cap” e um “floor” à remuneração bastante inferior a 80 €/MWh e que termina em 2027 para mais de 80% da produção de eletricidade eólica», esclarece a associação.

«No entanto, o que determina o preço de mercado da eletricidade não é a eletricidade eólica nacional, mas sim o mix de produção de todas as tecnologias geradores de eletricidade a operar na Península Ibérica», adianta ainda.

5) O hidrogénio verde é uma tecnologia “imatura”?

Na última questão, a resposta não podia ser diferente: não. «A produção de H2 Verde assenta em três tecnologias muito maduras: (i) desmineralização de água (que existe há mais de um século); eletrólise da água com recurso a eletricidade (que existe há dois séculos) e produção de eletricidade renovável, que está comprovada em mercado e que pode ser obtida a custos de produção que são inferiores aos preços médios diários do mercado ibérico de eletricidade», explica a APREN.

«Não há nada de imaturo nesta tecnologia, que é baseada na eletrólise da água. O que acontecerá no futuro é que serão geradas economias de escala quando os eletrolisadores passarem a ser construídos numa lógica de produção industrial standardizada em não numa lógica de projeto de engenharia, tal como sucede na indústria automóvel», conclui.

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