O CDS-PP decide hoje a sua posição oficial relativamente à segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 8 de fevereiro, numa reunião da Comissão Executiva agendada para a noite. Em causa está a escolha entre António José Seguro e André Ventura, os dois candidatos que disputam a sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência da República.
A decisão do partido surge depois de, no domingo à noite, o primeiro-ministro Luís Montenegro, na qualidade de líder do PSD, ter anunciado que os sociais-democratas não se envolverão na segunda volta, por entenderem que nenhum dos dois candidatos mais votados representa o seu espaço político. Na sequência dessa posição, o CDS optou por adiar a sua deliberação, conforme explicou o secretário-geral centrista, Pedro Morais Soares.
Direção adia decisão após posição do PSD
Numa declaração pública, Pedro Morais Soares sublinhou que o partido precisava de tempo para refletir, salientando a postura do CDS enquanto força política aliada do PSD. “O CDS é um partido leal junto dos nossos aliados nos momentos fáceis e difíceis”, afirmou, justificando o adiamento da decisão até à reunião desta noite.
O dirigente centrista aproveitou ainda para destacar a campanha presidencial de Rui Rio Marques Mendes, candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS, considerando-a “muito digna, com civismo e discutindo temas que interessam ao país e aos portugueses”. Marques Mendes terminou a primeira volta como o quinto candidato mais votado, com 637.394 votos, correspondentes a 11,30%, ficando atrás de Cotrim de Figueiredo e de Henrique Gouveia e Melo.
Pedro Morais Soares realçou também o aumento da participação eleitoral nas presidenciais, classificando-o como um “sinal importante para a democracia”. A abstenção fixou-se em 38,5% no território nacional, um valor inferior ao registado em anteriores eleições presidenciais.
O secretário-geral do CDS deixou ainda um agradecimento explícito aos militantes e dirigentes centristas que se empenharam na campanha presidencial de Marques Mendes, reconhecendo o envolvimento do partido num contexto eleitoral exigente.
Juventude Popular não apoia nenhum candidato
Apesar de a posição oficial do CDS só ser conhecida após a reunião desta noite, a Juventude Popular (JP) antecipou-se e anunciou que não apoiará nenhum dos candidatos que passaram à segunda volta, mantendo a posição assumida antes da primeira votação.
Na altura, embora o CDS viesse a confirmar o apoio a Marques Mendes, a estrutura juvenil considerou que nenhuma das candidaturas a Belém correspondia aos valores e à visão institucional que defende para a Presidência da República, entendimento que agora mantém.
Antigo líder do CDS declara apoio a Seguro
Quem já assumiu uma posição clara foi o antigo líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, que na primeira volta apoiou Gouveia e Melo. Durante a noite eleitoral, em declarações à CNN Portugal, anunciou o seu voto em António José Seguro para a segunda volta.
O ex-líder centrista, que sucedeu a Assunção Cristas e cujo mandato ficou associado à perda de representação parlamentar do CDS nas legislativas de 2022, justificou a sua escolha afirmando que “não pode haver contemplações quando está em causa um consenso matricial de valores fundacionais e civilizacionais do nosso continente”.
Com posições já assumidas por várias figuras e estruturas internas, a reunião da Comissão Executiva desta noite será determinante para clarificar o posicionamento oficial do CDS numa segunda volta presidencial marcada por fortes divisões no espaço político à direita e por um afastamento formal do PSD do confronto eleitoral.
A decisão que vier a ser tomada poderá ter impacto relevante no comportamento do eleitorado centrista no próximo dia 8 de fevereiro.














