Risco de autocracia “está a acontecer mais rapidamente” na América de Trump do que na Rússia

O realizador do filme que venceu o Óscar de Melhor Documentário, David Borenstein, disse esta noite que o risco autocrático está a acontecer mais rapidamente na América do que aconteceu na Rússia.

Executive Digest com Lusa

*** Ana Rita Guerra, da agência Lusa ***

Los Angeles, 16 mar 2026 (Lusa) – O realizador do filme que venceu o Óscar de Melhor Documentário, David Borenstein, disse esta noite que o risco autocrático está a acontecer mais rapidamente na América do que aconteceu na Rússia.

David Borenstein falava durante as entrevistas de bastidores após a vitória de “Mr. Nobody Against Putin”.

“Uma das coisas interessantes de trabalhar com uma equipa de russos neste processo tem sido o meu desejo, como americano, de comparar constantemente a situação na América à da Rússia”, respondeu David Borenstein a uma pergunta da agência Lusa.

“Muitos dos meus colegas e amigos russos dizem que não é a mesma situação. Na verdade, está a acontecer mais rapidamente na América do que na Rússia”, considerou. “Trump está a mover-se muito mais rapidamente do que Putin se moveu nos primeiros anos”.

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O documentário foi cocriado por David Boreinstein e Pavel “Pasha” Talankin, um professor que filmou secretamente a doutrinação dos seus estudantes com propaganda pró-guerra na Rússia de Vladimir Putin.

“O momento mais perigoso não foi durante o processo de filmagem mas no processo de fazer o filme, quando tentei atravessar a fronteira russa com todos os discos rígidos e materiais”, disse Pavel Talankin, com auxílio de uma tradutora.

“A Rússia é o governo que, quando saímos, pode revistar todos os nossos pertences, correspondência, tudo”, acrescentou.

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David Borenstein disse esperar que este documentário ponha em destaque a necessidade de continuar a apoiar a Ucrânia, considerando que a agressão não vai parar por aqui.

“Se simplesmente virem o filme e o que Putin está a ensinar às crianças todos os dias, verão que isto é sobre o futuro da guerra e do império e não acaba aqui”, salientou.

Outro objetivo que o realizador almeja é que o filme tenha impacto nos Estados Unidos.

“Precisamos de conversar sobre a resistência. Quando é apropriado resistir, [sobre] que tipo de escolhas morais enfrentamos quando as sociedades à nossa volta são transformadas por escolhas sombrias”, elaborou.

“Pasha é um grande exemplo de como qualquer pessoa pode ter voz, pode fazer a diferença”, continuou. “Um ninguém pode tornar-se um alguém. Todas as nossas escolhas individuais importam”.

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