O secretário-geral do PS defendeu hoje o início dos desembolsos da linha de crédito de 500 milhões de euros anunciada em dezembro para apoiar empresas portuguesas em Moçambique, alertando que Portugal perdeu competitividade em 57% dos mercados internacionais.
“Primeiro, pôr em prática a linha de crédito que foi anunciada há um ano atrás e que ainda não teve tradução concreta”, desafiou, em Maputo, José Luís Carneiro, defendendo que as empresas precisam de apoio para consolidar a presença em mercados fora da Europa.
Em declarações à Lusa à margem da abertura da 61.ª Feira Internacional de Maputo (Facim), o líder socialista considerou prioritária a concretização daquele instrumento financeiro para apoiar a internacionalização das empresas portuguesas, num contexto económico global que classificou como particularmente exigente.
A linha de apoio para financiar o investimento de empresas portuguesas em Moçambique foi anunciada pelos dois governos, em dezembro, no Porto, na cimeira bilateral.
Carneiro sublinhou que Moçambique assume um papel estratégico nesse esforço de expansão internacional, pela sua posição geográfica e pelos setores económicos considerados prioritários: “Moçambique é decisivo porque tem áreas vitais para a África austral, tem os transportes, tem energia, tem o setor do agroalimentar, tem também já a inovação tecnológica”.
Acrescentou que o país representa ainda uma das principais portas de entrada para a região da África austral e beneficia de uma localização geoestratégica privilegiada.
“Encontra-se na porta do Índico, que é também um contexto muito relevante do ponto de vista geoestratégico para a afirmação das empresas portuguesas no mundo”, acrescentou.
O líder socialista defendeu um reforço dos mecanismos públicos de apoio à atividade empresarial nos mercados externos, argumentando que as empresas necessitam não apenas de seguros para os investimentos, mas também de financiamento adequado para expandirem a sua atividade.
“É necessário acompanhá-las, apoiá-las, garantir-lhes não apenas seguro para os seus investimentos, mas também recursos e liquidez financeira para que possam avançar para os mercados externos, ganhar posições, consolidar posições”, sublinhou.
José Luís Carneiro sustentou que a internacionalização é igualmente importante para a economia portuguesa, associando o reforço da presença empresarial externa ao aumento da produtividade e da criação de riqueza.
“É isso que a economia portuguesa também precisa para ser mais produtiva, criar mais valor, criar mais riqueza e poder pagar melhores salários”, afirmou.
Questionado sobre a necessidade de reforçar o apoio às empresas portuguesas que investem e fazem negócio fora do país, o dirigente socialista apontou para indicadores que revelam uma deterioração da posição competitiva de Portugal.
“Os últimos números mostram que Portugal perdeu competitividade em 57% dos mercados externos. Isso significa que há que arrepiar caminho”, declarou.
Como resposta, pediu “bons planos de internacionalização das empresas”, acompanhados pelo reforço dos seguros de crédito, dos seguros ao investimento e de medidas destinadas a melhorar a liquidez das empresas.
O secretário-geral do PS apelou ainda a uma mobilização mais forte da rede diplomática portuguesa e das estruturas de promoção económica.
Defendeu que esse acompanhamento deve envolver “não apenas” as embaixadas e consulados, “mas também com a própria estrutura da AICEP”, cuja capacidade considerou dever ser reforçada.
O líder socialista reconheceu que muitas empresas atuam num contexto de crescente instabilidade internacional, que condiciona a previsibilidade dos investimentos e aumenta os riscos associados à expansão para mercados externos.
Ainda assim, manifestou disponibilidade para manter o diálogo com o tecido empresarial e para apresentar ao Governo propostas de política económica destinadas a reforçar o apoio à internacionalização.
A 61.ª Facim decorre entre hoje e 05 de setembro no Centro Internacional de Feiras e Exposições de Ricatla, no distrito de Marracuene, província de Maputo, sob o lema “Transformação digital e energética para uma economia sustentável”, sendo oficialmente aberta pelo Presidente moçambicano, Daniel Chapo.
Considerada a principal montra de negócios de Moçambique, a edição deste ano prevê a participação de quase 3.000 expositores de 29 países e cerca de 55 mil visitantes.
Portugal participa com mais de 100 empresas de capitais portugueses, incluindo cerca de duas dezenas com espaços próprios de exposição, estando também representado pelo secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, e pela presidente da AICEP, Madalena Oliveira e Silva. Segundo dados oficiais, existem cerca de 500 empresas de capitais portugueses em Moçambique e mais de 1.100 empresas portuguesas exportadoras ativas para este mercado.














