Por Gonçalo Botelho de Sousa, account executive Energy & Utilities da Capgemini Portugal
A sustentabilidade está na ordem do dia. Entre as várias definições possíveis, a que considero ser a mais precisa é a de uma característica ou condição de um sistema que permite a sua permanência por um determinado prazo. Ou seja: devemos equilibrar o que consumimos com o que produzimos.
Este conceito tem vindo a ganhar uma maior importância nos últimos anos, devido à forma como exploramos os recursos naturais em larga escala, principalmente a partir da segunda revolução industrial. Por isso, tornou-se também um princípio segundo o qual o uso desses mesmo recursos não pode comprometer os ecossistemas naturais.
Mas a sustentabilidade não diz apenas respeito aos temas do ambiente. De forma geral, devemos considerar três grandes dimensões: social, económica e ambiental. E todas elas devem ser cruzadas entre si, como um sistema simbiótico. A ONU, em 1992, deu o pontapé de saída para formalizar esta relação e criar as tão conhecidas metas de desenvolvimento sustentável, formalizadas em 2015, e que abrangem 17 áreas de actuação e 169 metas a cumprir até 2030.
Por outro lado, apostar em políticas sustentáveis não significa limitar o desenvolvimento económico. Segundo um estudo recente da Capgemini, seis em cada 10 organizações aumentaram os seus proveitos através da adopção de operações sustentáveis. Este tipo de organizações já possui um departamento dedicado ao tema da sustentabilidade, o que é de louvar.
No centro destas transformações estão tecnologias que permitem ligar pessoas e dispositivos entre si, melhorar a comunicação, monitorizar indicadores, analisar dados, optimizar ou mesmo autonomizar processos e prever acontecimentos.
Inteligência artificial, drones e veículos autónomos são bons exemplos de tecnologias que permitem obter ganhos muito substanciais de eficiência operacional e aumentar a segurança das operações.
A introdução do 5G irá contribuir para a forma como nos ligamos. Desde o desempenho até à segurança, é uma grande evolução face ao passado, e acelera a adopção da Internet of Things, contribuindo para a análise de grandes volumes de dados em tempo real que melhorarão a tomada de decisões.
Outro exemplo é o blockchain, uma tecnologia emergente que permite a distribuição segura entre várias partes independentes de activos digitais, quer estes sejam dados, moedas, contratos ou tokens.
Com tanta inovação na última década, principalmente no plano tecnológico, abriram-se portas a soluções que só imaginávamos num filme de ficção científica. A grande questão não está na ausência da tecnologia, que irá continuar a registar um ritmo exponencial de inovação, mas sim na sua correcta adopção. E isto só será possível com o envolvimento de todos os stakeholders e com a coragem de mudar sistemas que já não funcionam no novo mundo, onde a chave é preservar o equilíbrio entre o planeta e a sociedade.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Executive IT”, publicado na edição de Maio (n.º 182) da Executive Digest.








