À medida que as negociações do Brexit avançam sem um consenso aparente, a ansiedade aumenta nas empresas que receiam poder vir a ser instalado o caos, se o Reino Unido deixar a União Europeia (UE) sem um acordo comercial, avança a agência ‘Bloomberg’.
A mesma publicação adianta que nesta altura são já muitos os empresários preocupados e com cada vez menos esperanças de se que consiga alcançar um acordo, estando já conscientes de que não devem poder contar mais com o Reino Unido, depois de o país ter admitido violar parte do Acordo de Saída do Brexit.
À medida que o 31 de dezembro se aproxima (data em que termina o período de transição), as empresas começam a agir. Os fabricantes estão a realizar stocks de depósitos e a equacionar alguns planos de contingência, que esperavam nunca ter de vir a precisar.
A JP Morgan, por exemplo, transferiu cerca de 200 mil milhões de euros em ativos para Frankfurt, uma mudança que o vai tornar um dos maiores bancos da Alemanha. Um executivo sénior do banco com sede em Nova Iorque disse à Bloomberg que os 200 funcionários que está a mudar para fora de Londres são apenas a «primeira vaga».
As consequências práticas do Brexit estão atonar-se «cada vez mais claras», adianta a agência. O governo britânico já avisou que os exportadores do país para a UE têm de se preparar para enfrentar filas de sete mil camiões em Kent e atrasos de dois dias para o comércio após o término do período de transição do Brexit.
Para além disso as importações também serão interrompidas em janeiro, de acordo com uma carta do ministro Michael Gove à indústria de transporte, a que a ‘BBC News’ teve acesso, o que vem também levantar a perspetiva de ter de lidar, em simultâneo, com o pico de inverno da Covid-19 e a natural ausência de pessoal no porto e na fronteira.
De volta a Bruxelas, os negociadores principais Michel Barnier (da UE) e David Frost (do Reino Unido) vão retomar as negociações na próxima semana. Contudo, para já, ninguém está à espera de uma conclusão, apesar de Boris Johnson ter dito que o dia 15 de outubro seria o prazo final para um acordo.
Ainda assim, segundo a ‘Bloomberg’ as autoridades estão ligeiramente mais confiantes de que um acordo possa agora ser estabelecido, pelo menos porque o ressurgimento do novo coronavírus e o prazo de fim de acordo estão a «invadir as mentes» dos negociadores. Mas será tarde demais para as empresas? Fica a questão.













