É o fim da imigração sem qualificações no Reino Unido. O primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, quer acelerar os planos para impor novas restrições à imigração de cidadãos da União Europeia (UE) para o território britânico até 2021, dois anos antes do prazo que havia sido prometido pela sua antecessora, Theresa May, revela o “The Independent”.
A ministra do Interior, Priti Patel, deverá apresentar o projecto durante esta semana, dando às empresas e trabalhadores menos de um ano para se preparem para uma revisão do sistema de imigração. A ideia é criar um sistema baseado nas competências dos trabalhadores e não na suas origens.
«Precisamos de entregar mudanças e as empresas precisam de estar preparadas para o fim da imigração descontrolada de trabalhadores pouco qualificados», disse fonte oficial ao “The Sunday Telegraph”, citado pelo jornal inglês.
Os trabalhistas descrevem esta medida como sendo «reaccionária», advertindo que causará não só estragos entre os trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde e dos serviços públicos, como das principais indústrias do sector privado.
As declarações do Partido Trabalhista surgem depois de o ministro das Finanças, Sajid Javid, ter declarado este fim-de-semana que «não haverá harmonização, não acataremos ordens, não estaremos no mercado único e não estaremos na união aduaneira e faremos isso até ao final do ano [fim do período de transição]».
O tema da imigração, recorde-se, foi um dos temas centrais na campanha para o referendo do Brexit, em 2016. Na altura, o conservador Boris Johnson, então favorito para suceder à primeira-ministra Theresa May, propôs um sistema de pontos para «controlar» a imigração. Na prática, seriam três os critérios: o contributo que pode dar para o Reino Unido, tendo um emprego fixo ou a capacidade de falar inglês; garantias de que não representam um encargo para os serviços públicos britânicos ou que estão a tirar empregos que podiam ir para as pessoas que já vivem no país; além de garantias de que não representam uma ameaça para o Reino Unido.
No final de 2018, Theresa May anunciou que o actual sistema de imigração será substituído após a saída do Reino Unido da UE. «Pela primeira vez em décadas vai ser este país a controlar e a escolher quem queremos que venha. Durante demasiado tempo as pessoas sentiram-se ignoradas no que toca à imigração e os políticos não levaram as suas preocupações de forma suficientemente séria», escrevia May num comunicado.
«Quando sairmos [da UE] vamos instaurar um sistema de imigração que vai pôr fim, de uma vez por todas, à livre circulação. (…) Vai ser um sistema baseado nas competências dos trabalhadores e não na suas origens. Este novo sistema vai contribuir para a redução da imigração de pessoas pouco qualificadas. Vai colocar o Reino Unido na via de uma imigração restrita a níveis viáveis, como foi prometido», explicou ainda.




