O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, mostrou-se pessimista quanto a uma conclusão positiva das negociações com a União Europeia e afirmou que o processo está numa “fase delicada”.
Em comunicado divulgado pelo gabinete de Johnson, após um breve contacto telefónico ontem à noite com a Presidente da Comissão Europeia, o primeiro-ministro repetiu que era “muito provável” não ser alcançado um acordo.
Em causa está a discordância sobre as quotas comerciais de pesca e o acesso da UE às águas do Reino Unido.
Segundo o diário britânico The Independent, Johnson dissera a Von der Leyen que o Reino Unido “não poderia aceitar uma situação em que era o único país soberano do mundo a não poder controlar o acesso às suas próprias águas por um longo período, enfrentando quotas de pesca que desfavorecem a sua própria indústria”. E foi taxativo: “O acordo assim não é razoável.”
E se não houver acordo?
David Frost, líder da equipa de negociações do Reino Unido, indicou ontem que o processo “parece estar bloqueado e o tempo está a esgotar-se”.
Michel Barnier, que lidera o grupo de negociadores da UE, declarou, após uma reunião com os grupos políticos do Parlamento Europeu, que considerava “difícil, mas possível”, o estabelecimento de um acordo dentro das próximas 24 horas. E admitiu, inclusive, que a discussão poderia ainda demorar alguns dias, mas que se chegaria a um desfecho positivo.
Quem ainda partilha desta visão positiva é a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. “Saudamos progressos substanciais em muitas questões, algumas diferenças necessitam, porém, de ser superadas, o que é desafiador. Vamos prosseguir as negociações”, referiu.
O Parlamento Europeu tem reforçado que, se não houver resultado até dia 20 de dezembro, não ratificará o acordo, nem aceitará qualquer tipo de acordo provisório, o que terá como consequência uma lacuna legal, tendo em conta que as normas transitórias que regulam as relações entre a União e o Reino Unido terminam a 31 de dezembro.
Michael Gove, ministro do Estado, já declarou não acreditar no sucesso de um acordo. “Penso que infelizmente as hipóteses mais prováveis apontam para não conseguirmos um acordo”, disse, acrescentando que há “menos de 50%” de possibilidades.
O Reino Unido tem mostrado intransigência e recusa-se, por exemplo, a disponibilizar 6 das suas doze milhas de pesca à UE e muito menos a segunda opção que seria atribuir 60% da pesca nessa área marítima à frota pesqueira da União Europeia.













