O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ameaçou não renovar a concessão da TV Globo, maior emissora do país, depois de o Jornal ter revelado que um dos suspeitos de participar no homicídio de Marielle esteve no condomínio de Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, a 14 de março de 2018, dia em que a vereadora de esquerda e o motorista Anderson Gomes foram mortos a tiro.
Um porteiro do condomínio, citado pela Globo, disse que o ex-policía Élcio Queiroz, já formalmente acusado de ter sido um dos autores materiais do crime, afirmou à entrada que queria visitar Jair Bolsonaro, então deputado federal.
Segundo a mesma fonte, alguém de casa de Bolsonaro autorizou a entrada, mas Queiroz acabou por dirigir-se à residência de Ronnie Lessa, acusado de balear Marielle horas depois, naquele mesmo dia, e que vive no mesmo condomínio de Bolsonaro.
O presidente brasileiro nega estar envolvido no crime e acusa a Globo de querer destabilizar o governo. “Ou o porteiro mentiu, ou induziram o porteiro a cometer um falso testemunho, ou escreveram algo no inquérito que o porteiro não leu nem assinou. Qual é a intenção? Sempre a mesma, todo o tempo em cima da minha família, dos meus filhos e de quem está próximo de mim”, disse Bolsonaro.
Em tom exaltado, o presidente classificou de “patifaria” a cobertura que a emissora faz do seu mandato e disse que é feito um jornalismo “podre” e “canalha”. Bolsonaro chamou ainda a imprensa de “suja, nojenta, desonesta e imoral”.
“Vocês vão renovar a concessão em 2022. Não vou persegui-los, mas o processo vai estar limpo. Se o processo não estiver limpo, legal, não tem renovação da concessão de vocês, e de TV nenhuma. Vocês apostaram em me derrubar no primeiro ano e não conseguiram”, disse.
A estação de televisão diz que se limitou a fazer jornalismo sério e responsável.
As emissoras de rádio e TV no Brasil são concessões públicas. A da TV Globo vence em 2023. A concessão é renovada ou cancelada pelo presidente, e o Congresso pode referendar ou derrubar na sequência o ato presidencial em votação nominal de 2/5 das Casas (artigo 223 da Constituição).
Apesar de a concessão vencer a 15 de abril de 2023, segundo uma lei aprovada pelo governo Temer, o presidente pode decidir sobre a concessão até um ano antes de esta expirar — ou seja, em abril de 2022, no início do último ano do mandato de Bolsonaro.














