Autralianos garantem que maior indústria moçambicana suspende atividade em março

A australiana South32 garantiu hoje que vai suspender, dentro de um mês, a atividade da fundição de alumínio Mozal, maior indústria moçambicana, apesar das tentativas do Governo para ultrapassar o diferendo, sobre tarifas de energia.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 12, 2026
7:26

A australiana South32 garantiu hoje que vai suspender, dentro de um mês, a atividade da fundição de alumínio Mozal, maior indústria moçambicana, apesar das tentativas do Governo para ultrapassar o diferendo, sobre tarifas de energia.


“Passará para o regime de manutenção e conservação em março de 2026 devido à impossibilidade de garantir um fornecimento de energia elétrica suficiente e acessível. Estamos a trabalhar em estreita colaboração com nossos funcionários e parceiros nessa transição”, disse hoje Graham Kerr, diretor-executivo da South32, principal acionista da Mozal, após apresentar os resultados do grupo, considerando essa decisão como definitiva e que já levou a constituir uma imparidade de 372 milhões de dólares (313 milhões de euros).


O ministro da Energia moçambicano, Estêvão Pale, disse esta semana que o Governo está a tentar evitar a suspensão da atividade da Mozal, uma das maiores fundições em África, com 4.000 empregos, nos arredores de Maputo.


“Há discussões sobre o assunto. O Governo está a fazer tudo o que é necessário para garantir que a fábrica não entre em manutenção”, disse o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, questionado pelos jornalistas à margem da conferência Mining Indaba, na Cidade do Cabo, África do Sul.


A administração da South32 anunciou em dezembro que a Mozal irá suspender atividades, entrando em manutenção, a partir de 15 de março de 2026, face à falta de um novo acordo de fornecimento de eletricidade.


“Não foi assegurado um novo acordo de fornecimento de eletricidade e a Mozal será colocada em manutenção e conservação por volta de 15 de março de 2026. Consequentemente, as matérias-primas necessárias para sustentar as operações após março de 2026 não foram adquiridas”, anunciou a empresa, em comunicado.


Na altura, a South32 garantia continuar a dialogar com o Governo, a Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) e a energética sul-africana Eskom para garantir o fornecimento de “eletricidade suficiente e acessível” até à suspensão em março, quando o acordo atual de fornecimento de energia expira.


“Ao longo das nossas negociações, salientámos que a capacidade da Mozal para continuar a operar dependia da garantia de eletricidade suficiente a um preço que permitisse à fundição manter a sua competitividade internacional. Infelizmente, as partes permaneceram num impasse quanto ao preço adequado para eletricidade, o que foi agravado pelas condições de seca que afetam o fornecimento de eletricidade da HCB”, disse então Graham Kerr, citado no comunicado.


Admitiu que o anúncio então feito era “difícil” para a equipa da empresa e vai também ter impacto nos fornecedores, clientes, comunidades e outros interessados: “Compreendemos que o anúncio de hoje é difícil para a nossa equipa na Mozal e estamos empenhados em apoiá-los ao longo deste processo”.


A South32 disse que o custo de manutenção, incluindo rescisão de contratos, ronda 60 milhões de dólares (51 milhões de euros) e os custos anuais contínuos de manutenção e conservação cerca de cinco milhões de dólares (4,2 milhões de euros). Acrescentava que a previsão de produção para o ano fiscal de 2026 da Mozal, até março, mantinha-se em 240 mil toneladas.


A Mozal compra quase metade da energia produzida em Moçambique — essencialmente pela HCB – e tem um peso estimado de pelo menos 3% do PIB.


Em 18 de agosto, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou que as tarifas de energia propostas pela Mozal levariam ao colapso da HCB, reagindo já então à ameaça de encerramento.


O fornecimento de eletricidade à Mozal é feito através da Eskom, que por sua vez compra energia à HCB – 66% do total produzido em 2024 -, mas o Governo pretende reverter este cenário.


A Lusa noticiou em fevereiro de 2024 que o Governo pretende repatriar a partir de 2030, para uso doméstico, a eletricidade que exporta da HCB para a África do Sul desde 1979, conforme consta da Estratégia para Transição Energética em Moçambique até 2050.


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