Irão encerra Estreito de Ormuz após ameaças aos EUA. O que está em causa?

Decisão foi anunciada esta terça-feira pelos meios de comunicação estatais iranianos, que justificaram a medida com “razões de segurança”

Francisco Laranjeira
Fevereiro 18, 2026
14:03

O Irão encerrou temporariamente parte do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, num contexto de agravamento das tensões com os Estados Unidos. De acordo com o jornal britânico ‘The Independent’, trata-se do primeiro encerramento da hidrovia desde a década de 1980.

A decisão foi anunciada esta terça-feira pelos meios de comunicação estatais iranianos, que justificaram a medida com “razões de segurança”, enquanto o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) realizava exercícios militares na zona. O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo mundial, o que o torna crucial para o abastecimento energético global.



Segundo o ‘The Independent’, especialistas já tinham alertado que qualquer bloqueio, mesmo temporário, poderia provocar uma subida significativa dos preços do petróleo caso o tráfego marítimo fosse interrompido.

O fecho parcial coincidiu com novas negociações entre Washington e Teerão sobre um eventual acordo nuclear. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que foram acordados “princípios orientadores”, sem avançar detalhes. Do lado norte-americano, o vice-presidente JD Vance declarou à ‘Fox News’ que, apesar de algum progresso, permanecem “linhas vermelhas” que o Irão ainda não está disposto a aceitar.

Apesar do compromisso público de manter o diálogo, ambos os países têm reforçado a presença militar na região. Os Estados Unidos destacaram o ‘USS Gerald R. Ford’, o maior navio de guerra do mundo, para o Médio Oriente, onde já se encontrava o porta-aviões ‘USS Abraham Lincoln’.

O ayatollah Ali Khamenei respondeu com declarações ameaçadoras, afirmando que, embora um porta-aviões seja um “dispositivo perigoso”, existem armas capazes de o afundar. As palavras do líder supremo iraniano surgiram após exercícios militares que incluíram o lançamento de mísseis, mobilização de navios de guerra e helicópteros, demonstrando, segundo o IRGC, “prontidão operacional” face a potenciais ameaças.

No início da semana, o Irão realizou exercícios no próprio Estreito de Ormuz, com disparos de mísseis a partir do território nacional e ao longo da costa, atingindo alvos na hidrovia. Teerão anunciou ainda exercícios navais conjuntos com a Rússia no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico, reforçando a cooperação militar entre os dois países.

O direito internacional permite aos Estados exercer controlo até 12 milhas náuticas (cerca de 22 quilómetros) a partir da costa. No ponto mais estreito do Estreito de Ormuz, a passagem encontra-se sob jurisdição tanto do Irão como de Omã, o que acrescenta complexidade jurídica a qualquer bloqueio prolongado.

O encerramento parcial da via marítima e a retórica agressiva de ambas as partes aumentam os receios de uma escalada regional, com potenciais impactos nos mercados energéticos globais e na estabilidade do Médio Oriente.

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