Sabe quais são os carros usados com maior quilometragem falsa? Há um modelo que se destaca em Portugal

Estudo da empresa de dados automóveis ‘carVertical’ aponta para uma realidade transversal de carros afetados

Automonitor
Fevereiro 18, 2026
14:16

Comprar um carro usado pode esconder riscos inesperados, sobretudo quando a quilometragem foi manipulada para inflacionar artificialmente o valor do veículo. Em Portugal, o BMW Série 5 foi o modelo mais frequentemente adulterado em 2025, segundo um estudo da empresa de dados automóveis ‘carVertical’.

De acordo com a análise, 10,6% dos BMW Série 5 verificados apresentavam sinais de manipulação do conta-quilómetros. Em média, a quilometragem destes veículos foi reduzida em 123.443 quilómetros. Logo a seguir surgem o Citroën DS4, com 10,4% dos modelos adulterados e uma redução média de 65.563 quilómetros, e o Seat Ibiza, com 9,3% dos casos e uma diminuição média de 123.312 quilómetros.



A ‘carVertical’ realiza este estudo pelo sexto ano consecutivo, com o objetivo de identificar os modelos mais afetados por fraude no mercado de usados em Portugal. Segundo a empresa, muitos dos veículos adulterados são importados de outros países europeus, onde a ausência de partilha sistemática de dados sobre o histórico automóvel facilita a manipulação da quilometragem durante o processo de revenda.

Matas Buzelis, especialista do mercado automóvel da ‘carVertical’, alerta que os registos de quilometragem, histórico de danos e mudanças de propriedade estão frequentemente dispersos por bases de dados nacionais e privadas, de difícil acesso para o consumidor comum. “A manipulação da quilometragem é uma das principais razões pelas quais condutores e países perdem milhões de euros todos os anos”, sublinha.

Entre os modelos com maiores reduções médias de quilometragem em Portugal destaca-se o Volkswagen Passat, com uma diminuição média de 177.298 quilómetros. O BMW Série 5 e o Seat Ibiza surgem novamente entre os mais afetados, com reduções médias superiores a 123 mil quilómetros.

A empresa recorda que a fraude no conta-quilómetros não compromete apenas o valor do veículo, mas também a previsibilidade da manutenção e a segurança. Além disso, quando o proprietário tenta revender o carro no futuro, a descoberta de manipulação pode ter impacto direto no preço final.

Nem todos os modelos apresentam o mesmo nível de risco. Entre os 20 automóveis mais comuns no mercado nacional, o Opel Corsa foi o que registou a menor taxa de adulteração, com 4,9% dos veículos analisados a apresentarem manipulação de quilometragem. Seguem-se o Seat Leon, com 5%, e o Citroën Berlingo, com 5,5%. Ainda assim, no caso do Opel Corsa, isso significa que cerca de um em cada 20 exemplares verificados poderá ter o conta-quilómetros alterado.

A nível europeu, os modelos mais frequentemente adulterados em 2025 foram o Toyota Prius (14,3%), o Audi A8 (12,2%) e o Volvo V70 (9,3%).

O estudo baseou-se na análise de relatórios históricos de veículos adquiridos por utilizadores da ‘carVertical’ entre janeiro e dezembro de 2025. Os registos de manipulação de quilometragem foram agrupados por marca e modelo, convertidos em percentagens e classificados para identificar tendências no mercado de usados.

A ‘carVertical’ opera atualmente em 37 países e recolhe dados de mais de mil bases de dados internacionais, incluindo autoridades policiais, registos nacionais, instituições financeiras e plataformas de anúncios, processando milhões de relatórios por ano para mapear padrões e riscos no setor automóvel.

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