Os Estados Unidos e a Rússia têm nos respetivos arsenais milhares de armas nucleares cada, num restrito clube de potências militares de destruição em massa que conta ainda com China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel. A invasão pela Rússia da Ucrânia levantou, entre o mundo, um temor de que tais armas possam voltar a ser utilizadas, depois de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.
Para se perceber o ‘horror’ que um momento desses pode significar, um artigo publicado no ‘Live Science’ enumerou as armas nucleares mais poderosas já detonadas – especificamente explosões que excederam os 10 megatons. Em comparação, as estimativas para a bomba de Hiroshima são de certa de 15 quilotons. Há um site, que pode consultar aqui, no qual permite perceber o efeito mortífero.
‘Bomba Tsar’
A 30 de outubro de 1961, a União Soviética lançou a mais poderosa arma nuclear alguma vez explodida no arquipélago de Novaya Zemlya, a norte do Círculo Ártico. A ‘Bomba Tsar’ produziu uma explosão de 50 megatons, cerca de 3.300 vezes mais poderosa do que a arma nuclear de 15 kilotons lançada sobre Hiroshima. A bomba de hidrogénio, designada como RDS-220 soviética, ficou conhecida também como a ‘Big Ivan’ e ‘Vanya’.
A bomba poderia ter sido muito mais poderosa pois foi projetada para ter um rendimento explosivo de até 100 megatons. A bola de fogo da explosão tinha quase 9,7 km de diâmetro.
74% of americans don’t realize what 1 TSAR Bomb would do. Yet they scream for an escalation by doing things to russia. Then would ask why this happened.
The TSAR Bomb is 50 Megatons it reaches 180,000 feet. The blast radiation would be carried accross the entire world. pic.twitter.com/Y5buWiNhtd
— Rebel06714 (@Rebel06714) March 4, 2022
Teste 219
A União Soviética escolheu o dia 24 de dezembro de 1961 para lançar uma ‘prenda de Natal’ bastante desagradável uma vez mais em Novaya Zemlya, que abria o segundo maior complexo de glaciares do Ártico, segundo um artigo publicado em 2021 na revista ‘Nature’. Com 24,2 megatons, esta bomba tinha menos de metade da potência da ‘Bomba Tsar’ mas escalou até ao 2º posto das maiores explosões nucleares já registadas. Por ser apenas ‘metade’, não recebeu um nome cativante, sendo referida apenas como ‘Teste 219’ – seria também uma das últimas lançadas do ar pela União Soviética depois de o tratado de proibição de testes em 1963 ter proibido testes acima do solo, sendo que os futuros testes teriam de ser realizados no subsolo.
Teste 147
Desta feita, foi a 5 de agosto de 1962 que a União Soviética lançou 21,1 megatons sobre o arquipélago de Novaya Zemlya. Esta bomba é cerca de 1.400 vezes mais poderosa do que a lançada em Hiroshima mas, apesar do seu imenso poder, esta detonação nuclear não é tão conhecida quanto as outras nesta lista. Segundo o site Nukemap, uma arma nuclear dessas em Central Park, em Nova Iorque, produziria uma bola de fogo que chegava para cobrir todo o parque e uma intensa onda de radiação térmica que cobriria toda a cidade até Stamford.
Teste 173
Novamente em Novaya Zemlya, agora a 25 de setembro de 1962, a União Soviética realizou o chamado ‘teste 173’. Umas semanas depois do teste, começou a Crise dos Mísseis em Cuba, um momento que transportou as duas grandes superpotências para perto de uma guerra nuclear. Durante a crise, a União Soviética enviou mísseis nucleares para Cuba. O presidente americano Kennedy ordenou um bloqueio naval para impedir que mais armas nucleares chegassem a Cuba. A União Soviética concordou em retirar os seus mísseis desde que os Estados Unidos tirassem os seus da Turquia.
Castelo Bravo
A 1 de março de 1954, os Estados Unidos detonaram uma arma nuclear de 15 megatons no Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall, que ficou conhecido como ‘Castle Bravo’. Foi detonada na superfície em vez de ser lançada pelo ar – o rendimento foi cerca de duas vezes e meia superior ao esperado. A precipitação nuclear espalhou-se por cerca de 18.130 km quadrados pelo Pacífico, deixando os moradores das Ilhas Marshall, militares dos EUA e uma tripulação de uma traineira japonesa exposta a um alto nível de radiação, segundo apontou um artigo publicado em 2017 pelo ‘Atomic Herigate Foundation’.
Alguns moradores tiveram de ser evacuados e os habitantes das Ilhas Marshall sofreram desde então elevadas taxas de cancro. O teste e os danos causados aos moradores desencadearam protestos globais – nas décadas futuras, o governo dos EUA pagou indemnizações aos residentes da ilha; militares reformados dos EUA iniciaram um processo contra o Governo em 1984, alegando que foram minimizados os perigos da radiação.
66th anniversary of «Castle Bravo». The best photos from my collection.
On March 1, 1954, at the Bikini Atoll, the US detonated the most powerful thermonuclear device in its history, with a force of 15 Megatons. It was also the greatest single radiological disaster in US history pic.twitter.com/cKcOzgGoc8
— NUKES (@atomicarchive) March 1, 2020
Castelo Yankee
A 5 de maio de 1954, nova arma nuclear foi detonada numa barcaça ao lado do Atol de Bikini – o teste ‘Castelo Yankee’ teve um resultado de 13,5 megatons, cerca de 900 vezes mais poderosa do que a lançada em Hiroshima. Nos anos que se seguiram, a pressão global aumentou para que a proibição de testes nucleares entrasse em vigor. O Atol de Bikini é um recife de coral que circunda uma lagoa. Havia pessoas que viviam no atol antes dos testes nucleares que nunca conseguiram regressar pois o atol ainda está contaminado com restos de precipitação radioativa.
A few unusual images of US high-yield nuclear testing from Operation Castle, 1954… higher res than the “usual” photos, which I find helps one see them “anew”… pic.twitter.com/Wm48A8Q6Gt
— Alex Wellerstein (@wellerstein) November 28, 2018
Teste 123
A 23 de outubro de 1961, a União Soviética lançou uma bomba de 12,5 megatons no arquipélago de Novaya Zemlya, cerca de 830 vezes mais poderosa que a bomba de Hiroshima. É a sétima arma nuclear mais poderosa detonada na história. Conhecido como ‘teste 123’, foi um prelúdio para a ‘ Bomba Tsar’, que seria lançada na mesma área apenas uma semana depois. De acordo com um artigo publicado em 1996 na revista ‘Polar Geography’, este arquipélago tinha pequenas populações de pessoas que viviam lá antes dos testes nucleares e dedicavam-se à caça.
Castelo Romeu
A 26 de março de 1954, uma arma nuclear foi detonada numa barcaça no Atol de Bikini e produziu uma explosão nuclear de 11 megatons, cerca de 730 vezes mais poderosa que a bomba de Hiroshima. Com o nome ‘Castelo Romeu’, o teste foi realizado apenas algumas semanas após o teste ‘Castelo Bravo’, que espalhou precipitação radioativa pelas Ilhas Marshall.
Ivy Mike
A 1 de novembro de 1952, ‘Ivy Mike’ ou ‘Mike’ tornou-se a primeira arma termonuclear (bomba de hidrogénio) a ser totalmente detonada, produzindo uma explosão de 10,4 megatons, cerca de 690 vezes o tamanho da bomba de Hiroshima. Foi detonado na superfície do atol Enewetak nas Ilhas Marshall. Na época em que foi detonado, a Guerra do Vietname estava em pleno, enquanto se desenvolvia uma corrida nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética. O desenvolvimento da bomba de hidrogénio foi um assunto fraturante durante o Governo Truman, com o presidente americano a decidir pela sua produção.
Operation Ivy Mike, 65 years ago today. 10.4 megaton American nuclear test, first full verification of the Teller-Ulam H-bomb design. pic.twitter.com/JWi0KPclhp
— Alex Wellerstein (@wellerstein) November 1, 2017













