O confinamento imposto pela pandemia de Covid-19 permite aos investigadores quantificar os efeitos da actividade humana na vida selvagem. Esta é a convicção de um grupo de investigadores que decidiu atribuir um nome para o fenómeno: antropausa.
No artigo, publicado esta terça-feira na revista “Nature Ecology & Evolution”, os autores dizem que, embora a crise global de saúde tenha tido consequências devastadoras, a quebra da mobilidade humana em terra e no mar constitui uma oportunidade para os cientistas estudarem o impacto dos humanos na vida selvagem, dando «orientações importantes sobre a melhor forma de partilhar o espaço neste planeta apinhado».
«A natureza parece ter mudado, especialmente em ambientes urbanos. Não só parece haver mais animais do que o habitual, como também alguns visitantes inesperados», apontam. No entanto, chamam à atenção para o facto de ter havido uma pressão acrescida durante a pandemia para alguns animais, agora confrontados com novos desafios, nomeadamente ratos, gaivotas ou macacos.
Os autores do estudo avisam também que as dificuldades económicas causadas pela crise podem levar a um aumento da caça de animais selvagens em alguns países com baixos rendimentos ou a uma maior destruição dos habitats naturais.
«O período de confinamento da Covid-19 – ou como lhe chamamos, a ‘antropausa’ – permitir-nos-à investigar ao pormenor a forma como os humanos e a vida selvagem interagem no mundo», disse Christian Rutz, principal autor do estudo do Centro para a Diversidade Biológica da Universidade de St Andrews, no Reino Unido, à “Newsweek”, sublinhando que esta investigação pode dar pistas para «o planeamento de um futuro sustentável neste planeta».




