A peça “O Rei da Farândola” foi eleita sábado à noite, pelo público, Espetáculo de Honra de 2026 do Festival de Almada, regressando à 44.a edição do certame, a realizar de 04 a 18 de julho de 2027.
“O Rei da Farândola”, uma peça que é uma viagem ao século XVIII, “a época do século de ouro em Espanha, verdadeiro apogeu das artes em Espanha”, segundo a sinopse, obteve 126 votos dos 506 votantes, quase o total de espetadores que assistiu a “A gaivota”, peça que encerrou o festival.
“Montando um cabaret barroco em que nos conta histórias inspiradas em factos reais, o cantor e ator Ángel Ruiz apodera-se da fascinante figura de Filipe IV, que reinou de 1621 a 1655 – tendo sido o rei Filipe III de Portugal – , e viaja connosco entre várias épocas, revelando-nos segredos e algumas intrigas do seu reinado”, acrescenta a sinopse da peça.
Produzida pelo coletivo espanhol Lazona, a peça tem dramaturgia e direção de Ángel Ruiz, com acompanhamento ao piano de Bru Ferri, e teve uma única récita no certame, no dia 16.
Em segundo lugar na votação do público ficou “Israel & Mohamed”, com 76 votos, em terceiro “O beijo no asfalto”, com 61, e, em quarto lugar, “Só mais uma gaivota”, da companhia portuguesa Formiga Atómica, com 51 votos.
“Israel & Mohamed” é uma produção franco-espanhola de Zirlib e da IGalván Company, criada por Mohamed El Khatib & Israel Galvan.
“O beijo no asfalto”, com texto de Nelson Rodrigues, é uma produção do Teatro Nacional S. João, com encenação de Tónan Quito.
A 43.ª edição do Festival de Almada encerrou sábado com as peças “O cume” e “A gaivota”, depois de 15 dias em que o teatro ocupou oito espaços de cidade da Margem Sul e de Lisboa, com 19 espetáculos, dos quais 12 de companhias estrangeiras e sete de produção portuguesa.
Encenada pelo diretor suíço Christoph Marthaler, a peça “O cume” subiu à cena na sala principal do Teatro Joaquim Benite, em Almada, pelo Théâtre Vidy-Lausanne, numa coprodução com o Piccolo Teatro di Milano.
A peça foi estreada no Festival d’Avignon, num espetáculo multilingue sobre “a incomunicabilidade entre os humanos”, teve a primeira apresentação portuguesa na véspera e chegou ao Festival de Almada em co-apresentação com o Teatro Nacional D. Maria II.
“A gaivota”, de Tchékhov, numa encenação do francês Christian Benedetti para o Théâtre-Studio, entrou em cena às 22:00, no Palco Grande da Escola D. António da Costa.
Segundo a sinopse da obra, esta encenação traz “uma urgência de modernidade radical”, com a ação a decorrer num palco sem cenário, despido, onde pontuam apenas “alguns móveis e adereços necessários”, o mesmo acontecendo com o figurino.
O festival encerrou com um espetáculo musical, com a banda Largo da Cumbia, que voltou a subir ao palco, às 24:00, com “uma dança tradicional popular na América Latina”.
Com músicos portugueses e outros oriundos do Chile e do Reino Unido, a banda levou para o palco da esplanada “uma versão única e exclusiva da música latina mestiça”, que aborda temas da migração, intercâmbio cultural e comunidade, segundo o programa do Festival.
O curso “O sentido dos mestres”, ministrado este ano por Miguel Seabra e subordinado ao tema “O que fazemos nós aqui?”, colóquios, apresentações de livros, encontros e três exposições, uma das quais dedicada ao homenageado deste ano, o ator e encenador Fernando Gomes, fizeram parte do programa do Festival.
Com um orçamento de 631.044 euros, perto de um terço dos custos desta edição do certame são receitas próprias da anfitriã, a Companhia de Teatro de Almada (CTA), sendo o restante financiado pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto e Câmara de Almada, que disponibiliza 225.000 euros.














