Al-Assad, Maduro e agora Khamenei: Putin perde aliados e vê influência russa encolher

Este domingo, o presidente russo limitou-se a divulgar uma carta de condolências, classificando Khamenei como “um estadista extraordinário” que contribuiu para o desenvolvimento das relações entre Rússia e Irão

Francisco Laranjeira
Março 2, 2026
13:04

A morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei representa mais um revés para Vladimir Putin, que nos últimos meses viu cair vários aliados estratégicos no panorama internacional, relatou o ‘El Mundo’. Depois de Bashar al-Assad e de Nicolás Maduro, o desaparecimento de Khamenei reforça a perceção de que Moscovo atravessa um período de fragilidade diplomática, num contexto em que continua absorvida pela guerra na Ucrânia.

Este domingo, o presidente russo limitou-se a divulgar uma carta de condolências, classificando Khamenei como “um estadista extraordinário” que contribuiu para o desenvolvimento das relações entre Rússia e Irão. Apesar de ter denunciado o assassinato como uma “violação cínica” do direito internacional, o Kremlin não anunciou qualquer apoio concreto a Teerão face aos bombardeamentos dos EUA e de Israel.



Segundo o ‘El Mundo’, o próprio ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, terá tomado a iniciativa de contactar Moscovo no início da ofensiva. Ainda assim, não houve sinais públicos de envolvimento ativo por parte da Rússia.

Para o analista Alexander Baunov, do Carnegie Center, a morte de Khamenei coloca Putin numa “situação difícil”. Desde a reeleição de Donald Trump, o líder russo tem procurado evitar confrontos diretos com Washington, tentando preservar espaço negocial no dossier da Ucrânia. Baunov sublinha que, em poucos meses, Moscovo falhou duas vezes no papel de “salvador” dos seus aliados, numa alusão também à perda de Maduro.

Ao contrário de episódios anteriores — como o acolhimento do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovych ou a fuga de Bashar al-Assad para a Rússia — desta vez o Kremlin parece ter ficado à margem dos acontecimentos.

O Irão tem sido um parceiro central para Moscovo desde o início da ofensiva russa na Ucrânia, em 2022. Kiev e vários países ocidentais acusam Teerão de fornecer drones e tecnologia militar à Rússia, incluindo os aparelhos Shahed utilizados em ataques contra território ucraniano. Em 2025, os dois países assinaram ainda um tratado de parceria estratégica com componentes militares.

O impacto da morte de Khamenei para a Rússia permanece incerto. Alguns responsáveis russos admitem que uma subida do preço do petróleo poderá beneficiar Moscovo a curto prazo, através do aumento das receitas energéticas. No entanto, a médio e longo prazo, a perda de um aliado-chave no Médio Oriente pode reduzir a capacidade de influência da Rússia numa região que considera parte da sua esfera estratégica.

A Ucrânia reagiu positivamente à notícia. O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sibiga, afirmou que o episódio demonstra que a Rússia “não é um parceiro de confiança”, mesmo para aqueles que dependem fortemente de Moscovo.

Num momento em que o Kremlin continua focado na guerra na Ucrânia, a sucessão de perdas diplomáticas pode representar mais um sinal de desgaste da posição internacional da Rússia, conclui o ‘El Mundo’.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.