“Responderemos a qualquer agressão, venha de onde vier”: Teerão não exclui retaliação a bases militares envolvidas nos ataques

Base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores, registou um aumento significativo da atividade aérea americana desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão

Francisco Laranjeira

“A agressão será respondida, venha de onde vier.” A mensagem foi deixada de forma clara pelo embaixador do Irão em Espanha, Reza Zabib, numa conferência de imprensa na embaixada iraniana em Madrid, numa altura em que crescem as dúvidas sobre o eventual uso de bases militares europeias pelos Estados Unidos na operação contra Teerão.

Questionado sobre a possibilidade de as bases aéreas de Rota e Morón serem alvo caso fossem utilizadas numa operação militar contra o Irão, o diplomata foi direto: “A regra geral para nós é que responderemos a qualquer agressão, não importa de onde venha”, indicou, citado pelo jornal ‘El Mundo’. A declaração surge num contexto em que infraestruturas como a Base das Lajes, nos Açores, são apontadas como plataformas logísticas usadas pelos EUA para deslocação de meios militares envolvidos nos ataques.

A Base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores, registou um aumento significativo da atividade aérea americana desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão. Desde o passado dia 18 que se intensificou o movimento na infraestrutura, onde se encontram estacionados 15 aviões reabastecedores KC-46 Pegasus. Só este domingo foram contabilizadas 13 descolagens destas aeronaves, que têm capacidade para reabastecer aviões militares em pleno voo, enquanto na manhã desta segunda-feira saíram quatro aparelhos.

Apesar de não existirem dados oficiais sobre as missões, tudo indica que estes aviões estarão a apoiar operações de reabastecimento de aeronaves militares americanas em deslocação entre os EUA e o Médio Oriente. Além dos reabastecedores, passaram ainda pela Base das Lajes 12 caças F-16 Viper, um cargueiro C-17 Globemaster III e um C-5M Super Galaxy, o maior avião de transporte estratégico da Força Aérea dos EUA, evidenciando a relevância logística da infraestrutura açoriana no atual contexto geopolítico.

O aviso iraniano ganha particular relevância após a saída de dois destróieres americanos da base de Rota — o ‘USS Roosevelt’ e o ‘USS Bulkeley’ — rumo ao Mediterrâneo Oriental, bem como a descolagem de aeronaves em direção a leste. Apesar disso, o Governo espanhol garantiu que não autorizou a utilização das bases para a operação.

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A ministra da Defesa, Margarita Robles, assegurou que “absolutamente nenhum tipo de assistência foi prestada nas bases de Morón e Rota”, sublinhando que qualquer utilização exigiria enquadramento jurídico internacional, nomeadamente uma resolução. Segundo Madrid, o ataque ao Irão não possui essa base legal e foi conduzido de forma unilateral por Estados Unidos e Israel.

Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, convocou o embaixador iraniano após os lançamentos de mísseis que atingiram o Chipre, com o objetivo de transmitir a “rejeição e condenação” de Madrid e exigir a cessação imediata das ações militares que coloquem em risco cidadãos espanhóis na região.

Na embaixada iraniana, a bandeira estava hasteada a meia haste, após a confirmação da morte do ayatollah Ali Khamenei, para quem foram decretados 40 dias de luto. Vestido de preto e visivelmente emocionado, Reza Zabib pediu que se recordasse que pelo menos 200 civis morreram no ataque americano. “O incidente principal ocorreu no primeiro golpe, quando o líder supremo e o seu gabinete foram eliminados. Agora a operação continua”, afirmou.

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O diplomata insistiu que o Irão não iniciou o conflito. “Não começámos esta guerra. Estamos apenas a defender-nos. Isso chama-se legítima defesa.” E deixou claro que o desfecho depende dos EUA: “Se o agressor parar, nós também podemos parar. Mas se continuar, a guerra poderá espalhar-se por toda a região e mais além.”

Perante a possibilidade de novas escaladas, o embaixador apelou ao posicionamento da comunidade internacional. “Estamos num ponto de não retorno. Ou os países resistem à violação da ordem internacional, ou tornar-se-ão vítimas, um a um.”

Num cenário de crescente tensão e com infraestruturas militares europeias sob escrutínio, a advertência de Teerão ecoa além da região: qualquer base envolvida poderá ser considerada parte ativa no conflito.

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