Um derrame de petróleo numa instalação industrial no condado de Komárom-Esztergom, na Hungria, está a gerar preocupação entre especialistas ambientais e autoridades locais, devido ao potencial risco de contaminação das águas subterrâneas e do abastecimento público.
O incidente ocorreu nas instalações da empresa Vértes Environmental Management Ltd., em Oroszlány, onde um tanque transbordou, provocando uma fuga estimada em até dois mil litros de petróleo para o solo. Na sequência do acidente, as autoridades suspenderam o processamento de resíduos no local.
De acordo com a Euronews, apesar de a empresa alegar que não foi detetada poluição ambiental pelas autoridades governamentais, especialistas em conservação da natureza temem que os contaminantes possam já ter atingido o subsolo e as águas subterrâneas.
A ambientalista Tímea Kárpáti alertou para os riscos associados à localização da unidade industrial, situada em plena zona florestal, onde os danos ambientais podem ser mais difíceis de conter e monitorizar.
As preocupações aumentam devido à possibilidade de o derrame afetar os aquíferos cársicos da região, que são interligados e abrangem uma vasta área da Transdanúbia. Estes sistemas aquíferos estendem-se desde as colinas de Buda até à região do lago Balaton, o que significa que uma contaminação localizada pode ter impactos muito mais amplos.
Especialistas alertam que substâncias poluentes podem infiltrar-se no solo e atingir o lençol freático, colocando em risco o abastecimento de água potável de até 62 municípios. Cidades como Tata e Tatabánya já manifestaram preocupação com a situação.
Controvérsia em áreas protegidas
A polémica envolve ainda atividades da mesma empresa numa antiga mina em Pusztavám, localizada numa zona classificada como Natura 2000. Organizações não-governamentais denunciam que o local está a ser utilizado como depósito de resíduos, incluindo potencialmente substâncias perigosas.
Segundo relatos citados pela Euronews, cerca de 30 mil cidadãos e vários municípios da região já protestaram contra estas operações. A ONG Vértesschutz considera que não se trata de recuperação ambiental, mas sim de um aterro disfarçado.
Desde novembro do ano passado, a empresa está impedida de realizar atividades de recuperação nessa mina até instalar sistemas de monitorização da qualidade das águas subterrâneas.
Embora as autoridades afirmem não ter identificado contaminação imediata, o risco permanece, sobretudo devido à natureza interligada dos aquíferos e à sensibilidade ecológica da região.
A situação continua a ser acompanhada por especialistas e entidades locais, que exigem maior transparência e medidas preventivas mais rigorosas para evitar consequências ambientais de maior escala.












