A nova UE: de carvão e aço para zero carbono e digital

Com muitos países da União Europeia a não poderem considerar mais confinamentos, a fim de poderem salvar o que resta das economias e alavancarem um potencial crescimento, a aposta dos estados membros centra-se agora numa economia moderna mais verde e digital.

Embora não seja comparável ao plano de estímulo multibilionário dos Estados Unidos, que está a ser discutido, a UE vai disponibilizar, ao todo, 750 mil milhões de euros, com a marca Next Generation EU (NGEU), para apoiar os estados membros atingidos pela pandemia Covid-19.

Os países têm até sexta-feira para apresentar os seus planos. E embora o prazo seja “suave”, como refere a Reuters, sendo que ​​não há penalidades se os países se atrasarem algumas semanas, a urgência é real.

Para começar, os Governos que tiverem os seus planos aprovados pela Comissão Europeia e pelos ministros das finanças da UE podem obter logo 13% da sua parte do dinheiro, como pré-financiamento, que para toda a UE será de cerca de 45 mil milhões de euros este ano. O resto virá em parcelas, conforme os investimentos planeados e as reformas atinjam marcos e metas acordados.

UE mais verde e mais digital

Os requisitos da UE preveem que 37% dos fundos devem ser atribuídos a mudanças climáticas e 20% à digitalização da economia.

Este pode ser, por isso, o ano de viragem para UE – em que deixa de ser um bloco de carvão e aço para ser livre de carbono e digital, avança a Reuters. “Se feito agora de forma completa, pode ser uma verdadeira virada de jogo”, disse à agência de notícias Carsten Brzeski, diretor geral de pesquisa macro do banco ING, enquanto as capitais europeias acabam de delinear os seus planos sobre o fundo de recuperação da UE.

A curto prazo, a UE quer criar um investimento duradouro e um impulso para as economias devastadas pelo coronavírus recuperarem. A longo prazo, o bloco procura uma liderança verde global, tendo-se já proposto a reduzir as emissões líquidas de CO2 a zero até 2050 para desacelerar as mudanças climáticas e obter uma parte da economia digital, agora dominada por gigantes tecnológicos dos EUA, como a Google, a Amazon ou o Facebook.

O fundo NGEU tem também, avança a Reuters, um outro propósito existencial: evitar maiores divergências entre os países ricos e pobres do bloco, que poderiam destruir o mercado único de 450 milhões de pessoas.

“O NGEU foi historicamente importante como um sinal tangível de solidariedade”, disse Daniel Gros, responsável pelo Centro de Estudos Políticos Europeus. “Pode ter um impacto importante, porque leva a diferentes objetivos políticos e a um realinhamento político, por exemplo na Itália”, acrescentou, sobre um país que já foi o epicentro do vírus na Europa e está sobrecarregado por um legado de dívida nacional.

O desempenho de Itália, o maior beneficiário financeiro do fundo e um dos países que mais precisa de uma reforma profunda, será crucial, avança a Reuters, para a hipótese de usar novamente este tipo de fundos.

O sucesso do NGEU depende agora dos planos de gastos que estão a ser preparados por cada governo e de como esses planos serão implementados até ao final de 2026.

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