Covid-19: Sangue pode ditar gravidade dos casos. Tipo A correrá mais riscos

Pacientes com sangue do tipo A apresentam uma probabilidade 50% maior de necessitar de oxigénio ou de um ventilador.

Simone Silva

Um novo estudo produzido pela Universidade de Kiel, na Alemanha, publicado no mexRxiv, indica que o tipo sanguíneo pode determinar a gravidade de um caso do novo coronavírus, uma descoberta que pode ajudar a tratar a doença, antes de a mesma evoluir para complicações de saúde mais graves, avança o ‘New York Times’.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Neste sentido, foi apurado que pacientes cujo tipo sanguíneo é o A apresentam uma probabilidade 50% maior de necessitar de oxigénio ou de um ventilador, no tratamento da doença infecciosa viral. O tipo O, por sua vez, representa um menor risco de gravidade, comparativamente a todos os outros grupos sanguíneos.

Esta nova pesquisa resulta de uma colaboração entre especialistas clínicos de quatro países da Europa: Alemanha, Itália, Noruega e Espanha, que recolherem amostras de sangue de 1.610 pacientes que necessitavam de oxigénio ou que foram colocados em ventilação. Como termo de comparação, foram ainda recolhidas amostras sanguíneas de outras 2.205 pessoas não infectadas com o novo coronavírus.

A equipa da Universidade de Kiel extraiu o ADN das amostras e digitalizou-o, através de uma técnica chamada ‘genotipagem’, tendo analisado nove milhões de letras no genoma de cada paciente, em vez de a sequência.

Os investigadores, que procuravam diferenças genéticas entre os pacientes gravemente doentes e os restantes saudáveis, encontraram duas manchas no genoma, nas quais os pacientes infectados partilhavam os mesmos genes do que os saudáveis.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

É num desses locais que reside o gene que codifica o tipo sanguíneo, e foi dessa forma que os especialistas concluíram que o tipo A apresenta um maior risco de complicações de saúde graves associadas à Covid-19.

O estudo vem assim corroborar uma outra pesquisa semelhante realizada na China, que determinou que os pacientes com sangue tipo A tinham uma maior probabilidade de ser gravemente infectados com o vírus.

Apesar destes resultados, ainda é necessário aprofundar a investigação, para que possam haver certezas. Andre Franke, um dos autores do estudo, e a sua equipa, fazem parte de um projecto internacional, denominado ‘Covid-19 Hosts Genetic Initiative’, no qual mil investigadores de 46 países recolhem amostras de ADN de pacientes infectados.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.