Corrida contra o tempo: Roménia afunda barcaças no Danúbio para salvar última central nuclear operacional

Primeiro reator de Cernavodă já foi desligado devido à falta de água, enquanto o segundo continua em funcionamento, mas poderá também parar dentro de poucos dias caso a operação agora iniciada não produza os resultados esperados

Francisco Laranjeira

A Roménia iniciou esta quinta-feira uma operação sem precedentes para tentar manter em funcionamento o único reator nuclear ainda ativo na central de Cernavodă. Perante o nível historicamente baixo das águas do Danúbio, as autoridades começaram a afundar quatro barcaças carregadas de rocha para desviar mais água para a tomada de captação da central, relata o ‘The Independent’.

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A medida surge poucos dias depois de as autoridades terem recorrido a explosivos para destruir um afloramento rochoso no leito do rio, numa tentativa de aumentar o caudal disponível para o sistema de arrefecimento da central nuclear.

O primeiro reator de Cernavodă já foi desligado devido à falta de água, enquanto o segundo continua em funcionamento, mas poderá também parar dentro de poucos dias caso a operação agora iniciada não produza os resultados esperados.

Segundo Romeo Urjan, diretor da central, se as barcaças conseguirem criar um excedente de água, o reator poderá continuar a operar durante mais nove a dez dias. Caso contrário, poderá ser necessário interromper a produção dentro de cinco a seis dias.

Danúbio atinge mínimo histórico

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O caudal do Danúbio na Roménia caiu esta quinta-feira para cerca de 1.400 metros cúbicos por segundo, aproximadamente um terço da média habitual para o mês de agosto e o valor mais baixo alguma vez registado pelas autoridades romenas.

A agência nacional responsável pela gestão da água acredita que as barcaças funcionarão como uma barreira artificial, obrigando parte da água a seguir pelo braço do rio que alimenta diretamente a central nuclear.

Os dois reatores de Cernavodă asseguram cerca de 20% da eletricidade consumida na Roménia. No entanto, a seca extrema também reduziu significativamente a produção hidroelétrica e limitou as importações de energia dos países vizinhos, igualmente afetados pelas elevadas temperaturas.

Medida ganha tempo, mas não resolve o problema

Analistas do ING consideram que a operação demonstra a gravidade da situação, mas alertam que se trata apenas de uma solução temporária.

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Segundo o banco, remover rochas ou afundar barcaças pode permitir manter um reator em funcionamento durante mais alguns dias, mas não aumenta a capacidade de produção elétrica nem resolve a necessidade de investir em novas infraestruturas, armazenamento de energia e reforço das interligações elétricas.

A Roménia produz eletricidade através de uma combinação de centrais a gás, carvão, energia hidroelétrica, nuclear e renováveis, mas enfrenta a necessidade de investir milhares de milhões de euros para modernizar o sistema energético.

A seca extrema continua também a transformar a paisagem do Danúbio. Nos últimos dias, a descida do nível das águas voltou a expor dezenas de navios de guerra alemães afundados em 1944 pelas forças nazis durante a retirada perante o avanço do Exército Vermelho, uma consequência inesperada de uma crise climática que está a afetar grande parte da Europa.

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