Quando a estrada muda de cor, é porque o gelo pode estar a chegar: tecnologia portuguesa promete reforçar a segurança rodoviária

Solução recorre a materiais termocrómicos incorporados na tinta utilizada nas marcas rodoviárias, funcionando como um sensor visual que avisa os automobilistas para condições potencialmente perigosas antes da formação de gelo

Automonitor

A Universidade do Minho desenvolveu uma tecnologia que poderá reforçar a segurança rodoviária em estradas sujeitas a baixas temperaturas. Em comunicado, a instituição revela que criou marcas rodoviárias inteligentes capazes de mudar de cor quando a temperatura se aproxima dos 0 ºC, alertando os condutores para a possível formação de gelo, neve e gelo invisível (black ice) no pavimento.

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Segundo a universidade, a solução recorre a materiais termocrómicos incorporados na tinta utilizada nas marcas rodoviárias, funcionando como um sensor visual que avisa os automobilistas para condições potencialmente perigosas antes da formação de gelo.

A investigação foi publicada na revista científica ‘Progress in Organic Coatings’. O estudo é liderado por Orlando Lima, doutorando em Sustentabilidade do Ambiente Construído e investigador do Centro de Física e do Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Engenharia Estrutural (ISISE) da Universidade do Minho, sob orientação dos investigadores Joaquim Carneiro, Elisabete Freitas e Iran Rocha Segundo.

De acordo com a instituição, além de alertarem para a aproximação de temperaturas críticas, as marcas mudam para uma cor que aumenta o contraste sobre a neve, tornando-se mais visíveis e facilitando a orientação dos condutores em condições meteorológicas adversas.

Para validar a tecnologia, a equipa incorporou materiais termocrómicos numa tinta acrílica branca normalmente utilizada na sinalização horizontal das estradas. Os investigadores testaram o comportamento das marcas em diferentes temperaturas e analisaram as suas propriedades físicas, químicas e óticas através de ensaios laboratoriais e protótipos de pavimento que simulam condições reais de utilização.

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Em comunicado, a Universidade do Minho afirma que os resultados demonstram o potencial desta tecnologia para criar sistemas de alerta em tempo real capazes de ajudar os condutores a identificar situações críticas de circulação, reduzindo o risco de derrapagens e acidentes associados ao gelo.

Citado pela universidade, Orlando Lima sublinha que a aplicação do termocromismo à engenharia rodoviária continua a ser pouco explorada a nível mundial e considera que esta investigação introduz soluções inovadoras que combinam física aplicada e engenharia de materiais para reforçar a segurança nas estradas.

O investigador integra ainda o comité consultivo técnico de marcas rodoviárias da Associação Portuguesa para a Promoção da Gestão da Segurança Viária e, segundo a Universidade do Minho, recebeu recentemente várias distinções internacionais pelo seu trabalho, incluindo prémios atribuídos em conferências científicas dedicadas à ótica, pavimentos rodoviários e investigação em transportes.

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