Pernas à mostra, pelos em debate: a inesperada guerra do verão nos escritórios japoneses

Medida faz parte da iniciativa Tokyo Cool Biz, lançada em abril pela governadora Yuriko Koike para ajudar a enfrentar as temperaturas extremas e reduzir o consumo de energia durante o verão

Francisco Laranjeira

Os homens japoneses estão, este verão, a mostrar mais pernas do que nunca nos escritórios. A culpa é de uma nova recomendação do Governo Metropolitano de Tóquio, que incentiva os trabalhadores a trocarem o tradicional fato e gravata por roupa mais fresca, incluindo… calções.

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A medida faz parte da iniciativa Tokyo Cool Biz, lançada em abril pela governadora Yuriko Koike para ajudar a enfrentar as temperaturas extremas e reduzir o consumo de energia durante o verão.

Mas aquilo que começou como uma campanha para aliviar o calor rapidamente deu origem a uma polémica inesperada.

Enquanto muitos trabalhadores elogiam o conforto de poder ir de calções para o escritório, outras vozes criticam o facto de as mulheres continuarem, em muitos locais de trabalho, a sentir pressão para usar collants quando mostram parte das pernas.

E há ainda quem tenha encontrado outro motivo de queixa: os pelos das pernas dos colegas.

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Nas redes sociais japonesas começou a circular o termo “sunehara”, uma junção das palavras japonesas para “canela” e “assédio”, utilizada para descrever o desconforto provocado por colegas que exibem pernas muito peludas.

“Queremos dar mais opções às pessoas durante o calor extremo, não dizer-lhes o que devem vestir. Desde que a roupa não seja ofensiva, não deveria haver qualquer problema”, explicou à ‘BBC’ Noboru Watanabe, responsável ambiental do Governo Metropolitano de Tóquio.

A discussão teve um efeito inesperado: algumas clínicas especializadas em depilação a laser dizem estar a receber mais homens preocupados com a aparência das pernas.

Akifumi Funatsu, diretor da Gorilla Clinic, afirma que muitos clientes já não procuram tratamentos apenas por razões estéticas, mas também por considerarem que mostrar pernas sem pelos faz parte da etiqueta profissional.

Segundo o médico, existe a perceção de que muitas mulheres preferem que os homens tenham menos pelos nas pernas, levando alguns trabalhadores a recorrer à depilação para evitar situações embaraçosas.

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A campanha Cool Biz não é nova. Foi criada em 2005, quando Yuriko Koike era ministra do Ambiente, incentivando os trabalhadores a abandonarem a gravata e o casaco durante os meses mais quentes para reduzir o recurso ao ar condicionado.

Após o sismo e o tsunami de 2011, o programa evoluiu para o Super Cool Biz, alargando as recomendações de poupança energética tanto aos escritórios como às habitações.

Este ano, porém, o calor está a atingir níveis excecionais. A Agência Meteorológica do Japão introduziu mesmo a expressão “kokusho-bi”, ou “dia de calor brutal”, para assinalar jornadas em que os termómetros ultrapassam os 40 graus Celsius.

Só na semana entre 6 e 12 de julho, sete pessoas morreram devido a golpes de calor e 4.580 foram hospitalizadas, segundo a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres.

Além do ar condicionado e da hidratação, os japoneses têm recorrido a soluções cada vez mais criativas para enfrentar as altas temperaturas, desde roupa equipada com ventoinhas incorporadas a toalhitas refrescantes, guarda-sóis com proteção térmica e pequenas ventoinhas portáteis.

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Especialistas alertam, contudo, que a melhor defesa continua a ser a adaptação gradual do organismo ao calor antes do pico do verão, sobretudo num país onde a elevada humidade dificulta a evaporação do suor e aumenta o risco de insolação.

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