Os alunos do ensino secundário elegíveis para realizar exames nacionais na 2.ª fase vão ter uma nova oportunidade para repetir as provas numa época especial criada pelo Governo. A medida surge na sequência dos problemas técnicos registados na classificação eletrónica dos exames nacionais e pretende garantir que nenhum estudante é prejudicado pelas falhas verificadas durante o processo.
Segundo comunicado do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), todos os alunos que reuniam condições para realizar exames na 2.ª fase do ano letivo 2025/2026 podem inscrever-se nesta época extraordinária, independentemente de terem realizado ou não as provas que decorreram durante o mês de julho.
Quem pode realizar a época especial?
Podem inscrever-se todos os alunos que eram elegíveis para realizar exames nacionais na 2.ª fase. A decisão aplica-se quer aos estudantes que optaram por fazer essas provas, quer àqueles que decidiram não comparecer.
Na prática, isto significa que mesmo os alunos que atualmente estão a realizar exames na 2.ª fase poderão voltar a fazer as mesmas disciplinas na época extraordinária.
Porque foi criada esta nova época de exames?
O MECI justifica a medida com os problemas técnicos ocorridos durante o processo de classificação eletrónica dos exames nacionais.
Segundo o ministério, muitos estudantes não conseguiram conhecer atempadamente as classificações definitivas da 1.ª fase, situação que poderá ter condicionado a decisão de se inscreverem na 2.ª fase, bem como a preparação para essas provas.
Em comunicado, o ministério explica que “as dificuldades técnicas verificadas na classificação eletrónica impediram alguns alunos de conhecer as suas classificações definitivas atempadamente, circunstância que poderá ter condicionado, designadamente, a decisão de inscrição e de realização dos exames na 2.ª fase, bem como a adequada preparação dos alunos.”
Acrescenta ainda que esta “decisão de criar uma época extraordinária visa assegurar que nenhum aluno é prejudicado por circunstâncias que não lhe são imputáveis.”
O Governo garante igualmente que pretende assegurar “toda a transparência e rigor do processo de avaliação das aprendizagens dos alunos e as condições de equidade na conclusão do ensino secundário e no acesso ao ensino superior”.
Quando decorrem as inscrições?
As inscrições serão gratuitas e decorrem entre 27 e 31 de julho.
Quando se realizam os exames?
A época extraordinária decorrerá entre 3 e 8 de setembro.
O calendário definido pelo MECI é o seguinte:
3 de setembro
Português;
Português Língua Segunda;
Português Língua Não Materna;
Literatura Portuguesa;
Economia A;
História da Cultura e das Artes;
Latim.
4 de setembro
História A;
Biologia e Geologia;
História B;
Geometria Descritiva A;
Alemão;
Espanhol;
Francês;
Italiano;
Mandarim.
7 de setembro
Matemática A;
Matemática B;
Matemática Aplicada às Ciências Sociais;
Filosofia.
8 de setembro
Desenho A;
Física e Química A;
Geografia A;
Inglês.
A nota da época especial substitui a da 2.ª fase?
Sim, sempre que for mais favorável ao aluno.
O MECI esclarece que o exame realizado na época extraordinária será considerado, para todos os efeitos, como correspondente à 2.ª fase.
Assim, caso um estudante realize exames tanto na 2.ª fase de julho como na época especial de setembro, será considerada a melhor classificação obtida entre as duas provas, incluindo para efeitos de candidatura ao ensino superior.
O que muda nas candidaturas ao ensino superior?
A criação desta nova oportunidade obrigou o Governo a alterar o calendário da 2.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior.
Assim:
- As candidaturas decorrem entre 24 de agosto e 22 de setembro;
- Os resultados serão divulgados a 30 de setembro.
Desta forma, os estudantes poderão utilizar, caso lhes seja mais favorável, a classificação obtida na época extraordinária.
O que esteve na origem desta decisão?
Este ano, pela primeira vez, cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram classificados integralmente em formato digital.
O processo ficou marcado por vários problemas técnicos, que provocaram atrasos na divulgação das classificações.
As pautas começaram a ser afixadas apenas na noite de sexta-feira, mas muitas surgiram incompletas ou com classificações incorretas, na sequência de falhas identificadas pelo Júri Nacional de Exames.
Apesar destes constrangimentos, o Ministério da Educação decidiu manter inalterado o calendário da primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, que termina a 6 de agosto, bem como a realização da 2.ª fase dos exames nacionais durante esta semana.
O que pretende garantir o Governo?
Com a criação desta época extraordinária, o Executivo procura assegurar que os atrasos e os problemas técnicos ocorridos na classificação eletrónica não penalizam os estudantes, permitindo-lhes repetir os exames em setembro e beneficiar sempre da classificação mais elevada obtida, preservando assim condições de igualdade no acesso ao ensino superior e na conclusão do ensino secundário.














