Sondagem: Quase 90% dos portugueses querem que o Governo obrigue as petrolíferas a baixar os preços dos combustíveis

A larga maioria dos portugueses considera que o Governo deve intervir diretamente para travar o aumento dos preços dos combustíveis, obrigando as petrolíferas a reduzir os valores praticados nas bombas.

Revista de Imprensa

A larga maioria dos portugueses considera que o Governo deve intervir diretamente para travar o aumento dos preços dos combustíveis, obrigando as petrolíferas a reduzir os valores praticados nas bombas. A subida registada desde o início da guerra no Irão continua a gerar preocupação entre os consumidores, mas, apesar do impacto no orçamento das famílias, o aumento dos custos com o gasóleo e a gasolina ainda não convenceu a maioria dos automobilistas a trocar os veículos com motor de combustão por automóveis elétricos.

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De acordo com um barómetro da Intercampus, divulgado pelo Negócios, em parceria com o Correio da Manhã, a CMTV e a Now, quase 90% dos inquiridos defendem que o Executivo deveria obrigar as operadoras petrolíferas a baixar os preços dos combustíveis. Em sentido contrário, apenas 7% consideram que o Governo não deve intervir no mercado, enquanto pouco mais de 6% afirmam não saber ou preferem não responder. Desde o início da guerra no Irão e do bloqueio do estreito de Ormuz, o preço médio do gasóleo simples aumentou cerca de 20%, enquanto a gasolina simples 95 registou uma subida próxima dos 16%, aproximando ambos os combustíveis da fasquia dos dois euros por litro.

Apesar da pressão sobre os preços, o Governo tem mantido apenas o mecanismo de desconto no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), recusando uma intervenção direta na formação dos preços. Na audição parlamentar realizada na semana anterior, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou que “relativamente à formação dos preços, há um regulador do setor, há uma Autoridade da Concorrência, e é a essas entidades que compete, naturalmente, avaliar se há ou não qualquer distorção no mercado”. Paralelamente, a ministra do Ambiente e Energia solicitou à Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) uma análise à evolução recente dos preços dos combustíveis.

O estudo procurou igualmente perceber se o aumento dos preços estaria a incentivar a mudança para veículos elétricos. Os resultados mostram uma sociedade dividida, embora com ligeira maioria a considerar que essa transição é uma necessidade. 45% dos inquiridos defendem que a mudança para um automóvel elétrico é necessária, enquanto 42% entendem que não. Entre aqueles que admitem essa necessidade, o preço elevado dos veículos surge como o principal obstáculo, apontado por 68% dos participantes, seguindo-se a reduzida autonomia. Em contrapartida, apenas 12% identificam a falta de postos de carregamento como a principal barreira, levando a Intercampus a concluir que “a questão dos postos de carregamento não é importante, porventura porque, precisamente, os portugueses ainda não começaram a pensar seriamente em adquirir este tipo de carros”.

O barómetro analisou ainda a perceção dos portugueses sobre quem mais beneficiou com a guerra no Irão. 42% dos inquiridos consideram que os Estados Unidos são o principal beneficiário do conflito, seguidos por Israel, escolhido por 20%, e pelo próprio Irão, apontado por 12%. Mais de um quarto dos participantes respondeu que não sabia ou preferiu não responder, um resultado que, segundo a leitura da Intercampus, revela algum desconhecimento sobre os efeitos geopolíticos da guerra.

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