Ucrânia já protege mais de 1.000 quilómetros de estradas com redes antidrone para garantir abastecimento das tropas

A Ucrânia ultrapassou a marca dos 1.000 quilómetros de estradas protegidas com redes antidrone, numa das maiores adaptações logísticas impostas pela guerra contra a Rússia.

Pedro Zagacho Gonçalves

A Ucrânia ultrapassou a marca dos 1.000 quilómetros de estradas protegidas com redes antidrone, numa das maiores adaptações logísticas impostas pela guerra contra a Rússia. A expansão desta infraestrutura reflete o impacto crescente dos drones no campo de batalha, transformando as rotas de abastecimento militar em alvos prioritários e obrigando Kiev a criar corredores protegidos para assegurar a circulação de tropas, veículos e equipamentos junto à linha da frente.

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Segundo o Euromaidan Press, que cita o Ministério da Defesa ucraniano, o Serviço Estatal de Transportes Especiais construiu, desde o início de 2026, 1.066 quilómetros de proteção antidrone sobre estradas consideradas estratégicas para a logística militar. A intervenção foi realizada por ordem do Ministério da Defesa e visa reduzir a vulnerabilidade das principais vias de abastecimento utilizadas pelas Forças Armadas ucranianas.

Os números revelam uma aceleração significativa do projeto. Apenas desde o início de junho foram construídos 325 quilómetros adicionais de proteção, restaurados mais de 31 quilómetros de estruturas já existentes e efetuadas reparações em cerca de 233 quilómetros de estradas. Paralelamente, desde abril foram realizados trabalhos de manutenção e recuperação em 369,6 quilómetros da rede viária, encontrando-se atualmente obras em curso em 16 troços, enquanto outros 27 segmentos já foram totalmente concluídos.

As autoridades ucranianas explicam que esta resposta resulta da transformação profunda que os drones provocaram na guerra. Atualmente, os drones FPV (First Person View) e os aparelhos de reconhecimento russos conseguem operar entre 15 e 30 quilómetros da linha da frente, atacando sistematicamente veículos de transporte, ambulâncias, colunas logísticas e outros alvos móveis. Perante esta realidade, a instalação de redes suspensas sobre as estradas tornou-se essencial para permitir qualquer circulação relativamente segura nas zonas próximas dos combates.

O Ministério da Defesa sublinha que as rotas logísticas são hoje um dos principais objetivos das forças russas, razão pela qual a proteção destas vias influencia diretamente a capacidade de abastecimento das unidades no terreno. Segundo o ministério, os corredores protegidos permitem deslocar recursos militares de forma mais rápida e segura, contribuindo para manter o ritmo das operações e reforçando a capacidade de resistência das forças ucranianas.

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A dimensão do esforço demonstra também a rapidez com que o projeto tem evoluído. Em junho, a Ucrânia alcançou um ritmo médio de construção de 9,2 quilómetros de proteção por dia, mais do dobro do registado durante 2025. O objetivo estabelecido pelas autoridades passa por atingir 4.000 quilómetros de estradas protegidas até ao final de 2026. A região de Kherson, uma das mais expostas aos ataques russos, representa atualmente 207 quilómetros desta rede de proteção.

As redes antidrone constituem apenas uma das componentes da estratégia logística ucraniana. A outra assenta na crescente utilização de veículos autónomos e robôs terrestres, que percorrem precisamente estas rotas protegidas para transportar munições, abastecimentos, equipamentos e evacuar militares feridos. Enquanto as redes procuram intercetar os drones FPV antes de atingirem os veículos, os sistemas robotizados reduzem significativamente a exposição dos soldados às zonas mais perigosas.

Os resultados desta estratégia já começam a ser visíveis. De acordo com o Ministério da Defesa, os robôs terrestres realizaram mais de 66 mil missões logísticas e de evacuação durante o primeiro semestre de 2026, assumindo muitas das operações anteriormente executadas por militares e diminuindo o risco humano nas missões de abastecimento e resgate.

Para Kiev, a conjugação entre infraestruturas protegidas e meios autónomos representa uma resposta estrutural às novas características da guerra moderna, onde os drones passaram a dominar grande parte do espaço entre a retaguarda e a linha da frente. O Ministério da Defesa considera que a segurança das rotas logísticas se tornou um dos fatores determinantes para garantir a capacidade operacional e a resiliência das Forças de Defesa da Ucrânia, numa guerra em que assegurar o abastecimento contínuo das unidades pode ser tão decisivo como a própria capacidade de combate.

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