O Reino Unido prepara-se para mudar de líder. Depois de menos de dois anos em Downing Street, Keir Starmer está de saída e o homem escolhido para lhe suceder é Andy Burnham, antigo presidente da Câmara da Grande Manchester, que foi eleito sem oposição para liderar o Partido Trabalhista.
Segundo o ‘El Mundo’, Burnham reuniu o apoio de 379 dos 403 deputados trabalhistas e de todos os sindicatos necessários para assumir a liderança, tornando praticamente certa a sua entrada no cargo de primeiro-ministro.
Na estreia como líder do partido, Burnham procurou marcar distância da linha centrista seguida por Starmer.
Apontou o dedo ao legado da década de 1980 e às políticas de Margaret Thatcher, acusando-as de terem privatizado setores estratégicos e concentrado demasiado poder em Londres.
Na sua visão, foi nessa época que o Reino Unido começou a perder instrumentos essenciais para o seu desenvolvimento.
Apesar do tom de rutura, o novo líder evitou apresentar medidas concretas para enfrentar dois dos maiores desafios da economia britânica: a elevada dívida pública e o fraco crescimento económico.
Mudança no discurso, continuidade na equipa
Embora a retórica seja diferente, Burnham rodeou-se de figuras ligadas ao antigo governo de Tony Blair.
O futuro chefe de gabinete será James Purnell, antigo ministro trabalhista, enquanto Jonathan Powell, outro histórico da era Blair, deverá manter-se como conselheiro de Segurança Nacional.
Para o ‘El Mundo’, estas escolhas sugerem que, apesar da mudança de estilo, muitas das políticas seguidas por Starmer poderão manter-se.
Mais poder para as regiões
Uma das principais bandeiras de Burnham é a descentralização.
Ao longo do discurso evocou repetidamente cidades industriais do norte de Inglaterra, da Escócia e do País de Gales que, segundo defende, foram esquecidas por Westminster.
Prometeu transferir gradualmente mais competências para as regiões, devolvendo às comunidades maior controlo sobre áreas fundamentais da vida pública.
Contudo, não apresentou um calendário nem um plano legislativo detalhado para concretizar essa reforma.
A última oportunidade para o Partido Trabalhista
Burnham deixou também um aviso ao próprio partido. Defendeu que esta poderá ser “a última oportunidade” para impedir o crescimento da direita eurocética do Reform UK e evitar um colapso eleitoral dos trabalhistas.
O novo líder apelou ainda à unidade de um partido dividido entre trabalhadores e profissionais urbanos, bem como entre grandes cidades e zonas rurais.
Terminou o discurso com uma mensagem otimista, afirmando querer devolver aos britânicos “a esperança de que este país pode voltar a dar o melhor de si”.
















