A polícia italiana realizou buscas nas instalações de várias marcas de luxo, entre as quais a Chanel e a Bulgari, no âmbito de uma investigação sobre alegada exploração de trabalhadores chineses na cadeia de fornecimento da indústria da moda.
A operação, coordenada pelo Ministério Público de Milão, abrangeu ainda marcas como Brunello Cucinelli, Etro, Moncler, Goyard Italie, Jacob Cohen Company e Stefano Ricci. As autoridades procuraram documentação relacionada com os sistemas de controlo interno e de fiscalização dos fornecedores e subfornecedores.
Apesar das buscas, nenhuma das marcas foi formalmente constituída arguida nem está diretamente sob investigação criminal.
Segundo a agência ‘Reuters’, os investigadores pretendem apurar se as empresas exerceram uma supervisão adequada sobre fornecedores que recorreram, por sua vez, a oficinas onde foram detetadas alegadas situações de exploração laboral envolvendo trabalhadores chineses, alguns sem documentação regular e sujeitos a condições de trabalho degradantes.
Investigação já atingiu Prada, Dolce & Gabbana e Givenchy
O caso insere-se numa investigação mais vasta conduzida pelas autoridades italianas, que nos últimos dois anos tem colocado sob escrutínio várias das maiores casas de luxo do país.
Entre as marcas anteriormente abrangidas estão Prada, Dolce & Gabbana e Givenchy. Em alguns casos, como o da Loro Piana, os tribunais determinaram a administração judicial temporária das empresas até serem reforçados os mecanismos de controlo das respetivas cadeias de abastecimento. Essas medidas acabaram posteriormente por ser levantadas após a adoção de novas regras de fiscalização.
O problema está escondido na cadeia de produção
No centro da investigação está um modelo de produção amplamente utilizado pela indústria do luxo.
As marcas contratam fornecedores, que por sua vez subcontratam outras empresas para fabricar componentes como bolsas para roupa, sacos de compras ou pequenas peças de marroquinaria. Foi nestas oficinas, muitas delas geridas por empresários chineses no norte de Itália, que as autoridades detetaram alegadas violações da legislação laboral.
“Made in Italy” volta sob pressão
As sucessivas investigações voltam a colocar sob pressão a reputação do setor do luxo italiano e do selo “Made in Italy”.
No ano passado, o ministro italiano da Indústria, Adolfo Urso, defendeu o setor, afirmando que a imagem das marcas italianas estava “sob ataque”. Já várias empresas garantiram entretanto estar a reforçar os mecanismos de auditoria e de controlo dos seus fornecedores para evitar novos casos.














