A final do Mundial de futebol coloca frente a frente Espanha e Argentina, mas fora das quatro linhas o duelo também se trava na economia, indicou a XTB.
Enquanto a seleção espanhola representa uma das economias mais sólidas da Zona Euro, a Argentina chega à “final” económica depois de protagonizar uma das recuperações mais surpreendentes dos últimos anos, saindo de uma crise marcada por hiperinflação para voltar a conquistar a confiança dos mercados.
Espanha cresce com estabilidade e confiança
A economia espanhola continua a destacar-se entre as maiores da Europa.
No primeiro trimestre de 2026, o PIB cresceu 2,7% em termos homólogos, impulsionado pelo consumo interno, pelo turismo e pelo setor dos serviços. O Banco de Espanha prevê que o crescimento anual se fixe nos 2,3%.
Ao mesmo tempo, a inflação mantém-se relativamente controlada, situando-se nos 3,2% em junho, enquanto a inflação subjacente recuou para 2,9%.
Argentina troca hiperinflação por crescimento
Se Espanha representa a estabilidade, a Argentina é o caso de recuperação que mais surpreende os mercados.
Depois de anos marcados por sucessivas crises económicas, o país registou um crescimento homólogo de 2,3% no primeiro trimestre de 2026, apoiado sobretudo na agricultura, na mineração — em especial o lítio — e na pesca.
O dado mais impressionante continua, contudo, a ser a inflação.
Em apenas dois anos, a taxa homóloga caiu de 292,2% para 32,6%, resultado das reformas económicas implementadas desde 2024 e da disciplina orçamental adotada pelo Governo de Javier Milei.
As bolsas também escolheram vencedores
O bom momento económico refletiu-se igualmente nos mercados acionistas.
Em Espanha, o IBEX 35 valorizou mais de 49% em 2025 e continua a negociar em máximos de várias décadas. A banca, as energias renováveis e as empresas ligadas à defesa lideraram a subida.
Entre os principais destaques estão o Banco Santander, a Solaria e a Indra, beneficiando do ambiente de taxas de juro, da aposta na transição energética e do reforço do investimento europeu em defesa.
Na Argentina, o desempenho foi ainda mais expressivo.
O índice S&P Merval acumula uma valorização próxima dos 62% nos últimos 12 meses e superou os 3,2 milhões de pontos em moeda local. Mesmo quando analisado em dólares, continua a apresentar ganhos significativos, sinalizando uma crescente confiança dos investidores internacionais na estabilização da economia.
Empresas como a petrolífera YPF, o Grupo Financiero Galicia e a Pampa Energía lideraram a valorização da bolsa argentina, beneficiando das reformas económicas e da liberalização de vários setores.
Duas economias, duas formas de vencer
Apesar de apresentarem ritmos de crescimento semelhantes, Espanha e Argentina chegam a esta “final” económica por caminhos completamente diferentes.
A economia espanhola convence pela previsibilidade, pela estabilidade institucional e pela força das grandes empresas cotadas.
Já a Argentina destaca-se pelo potencial de valorização. Depois de controlar a inflação e recuperar a confiança dos mercados, oferece atualmente oportunidades de retorno muito superiores, embora acompanhadas por um nível de risco bastante mais elevado.
Tal como no futebol, também na economia há diferentes formas de chegar à vitória. Espanha apresenta a consistência de um favorito. A Argentina surge como a equipa que protagonizou a maior recuperação e que continua a entusiasmar os investidores mais dispostos a correr riscos.














