Sondagem: Quase 70% dos portugueses responsabilizam ministro da Educação pelo caos nos exames nacionais

De acordo com o estudo, 69,9% dos inquiridos consideram que o governante é o principal culpado pelo processo que obrigou ao adiamento da divulgação das classificações.

Revista de Imprensa

A maioria dos portugueses responsabiliza diretamente o ministro da Educação, Fernando Alexandre, pelos problemas que marcaram a classificação digital dos exames nacionais do ensino secundário, segundo o mais recente barómetro da Intercampus, realizado para o Negócios, Correio da Manhã, CMTV e NOW entre 9 e 14 de julho. De acordo com o estudo, 69,9% dos inquiridos consideram que o governante é o principal culpado pelo processo que obrigou ao adiamento da divulgação das classificações e mergulhou a época de exames numa sucessão de falhas técnicas e alterações de calendário. Em contraste, apenas 5,5% atribuem responsabilidades aos professores, enquanto 10,8% apontam às escolas e cerca de 20% responsabilizam o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

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Apesar da forte responsabilização do ministro, os portugueses mostram-se divididos quanto às consequências políticas. O barómetro revela que 42,1% defendem que Fernando Alexandre deixou de reunir condições para permanecer no cargo, mas 41,2% entendem que deve continuar como ministro. Os autores da sondagem admitem que este equilíbrio poderá explicar-se pelo facto de o trabalho de campo ter terminado quando a crise ainda estava em desenvolvimento, levando muitos participantes a considerarem prematuro exigir uma demissão, além da preocupação com a estabilidade governativa numa fase de férias e de preparação do próximo ano letivo.

A sondagem surge precisamente no dia em que está prevista a divulgação das classificações dos mais de 300 mil exames nacionais realizados pelos alunos do ensino secundário, embora o próprio ministro tenha reconhecido, na véspera, que “há sempre riscos” de nem todas as pautas conseguirem ser afixadas. Fernando Alexandre revelou que 99,3% das respostas já estavam classificadas, mas admitiu dificuldades em encontrar professores classificadores para concluir sobretudo as provas de Português e Matemática, apelando a um “esforço adicional” dos docentes para fechar o processo.

A crise começou com a implementação, pela primeira vez, da classificação integralmente digital dos exames nacionais, um sistema que enfrentou sucessivos problemas técnicos desde o início da correção das provas. As dificuldades obrigaram o Ministério da Educação, Ciência e Inovação a adiar em vários dias o calendário inicialmente previsto, transferindo a divulgação das notas para esta sexta-feira e comprimindo os prazos da restante época de exames. Ainda assim, Fernando Alexandre garantiu que, após uma auditoria ao processo e ao apuramento de responsabilidades, a segunda fase continuará a utilizar o mesmo modelo digital, assegurando que “todos os problemas tecnológicos foram corrigidos”.

Enquanto se aguardam as classificações finais, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, manteve a confiança política no titular da pasta da Educação durante o debate do Estado da Nação, recusando retirar conclusões antes do encerramento do processo. Já o ministro insiste que a prioridade continua a ser garantir que todas as notas sejam publicadas com “rigor, transparência e todos os instrumentos de verificação”, apesar de reconhecer que o sistema enfrentou falhas significativas e de prometer uma auditoria para identificar responsabilidades após o fim da época de exames.

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