Nova agência de investigação quer Portugal como um dos países “onde é mais fácil fazer ciência”

O presidente da Agência para a Investigação e Inovação (AI²) disse hoje querer tornar Portugal num dos países “onde é mais fácil fazer ciência e inovação”, pedindo um reforço do investimento público e privado.

Executive Digest com Lusa

O presidente da Agência para a Investigação e Inovação (AI²) disse hoje querer tornar Portugal num dos países “onde é mais fácil fazer ciência e inovação”, pedindo um reforço do investimento público e privado.

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Na abertura do maior encontro da comunidade científica em Portugal, o “Encontro Ciência e Inovação 2026”, João Barros começou por pedir um reforço do investimento público, mas também uma maior presença do setor privado.

O primeiro objetivo da instituição que veio substituir o Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a Agência Nacional de Inovação (ANI) é “tornar Portugal um dos países onde é mais fácil fazer ciência e inovação”, disse o presidente da AI² na sessão de abertura do encontro.

Para isso, acrescentou, é preciso garantir “calendários previsíveis, orçamentos estáveis” e melhores condições para quem investiga e empreende.

A falta de condições de trabalho foi precisamente o que motivou a manifestação de dezenas de investigadores junto ao evento, que decorre hoje e na quinta-feira no Centro de Congressos de Lisboa.

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Já sobre os grandes objetivos da nova agência, João Barros apontou também a aposta em duplicar “o impacto social das publicações, pilotos ou protótipos”, com resultados “reais e mensuráveis na saúde, na cultura, na educação, nas empresas, no território, na administração pública, no produto interno bruto e na segurança e qualidade de vida”.

O terceiro consiste em elevar Portugal à categoria de “Strong Innovator” no European Innovation Scoreboard, objetivo que, segundo João Barros, exige “mais investimento público” e um melhor alinhamento com programas europeus, como o Horizonte Europa e o Fundo Europeu de Competitividade.

Considerando que o sistema científico e tecnológico está hoje “altamente fragmentado”, o presidente apelou a uma mudança que o transforme num “verdadeiro ecossistema de ciência e inovação em que todos os componentes, públicos e privados, estão profundamente interligados”.

Reconhecendo que o tema dos investimentos públicos e privados gera “polarização”, João Barros afirmou: “Uns dizem, eles vão tirar dinheiro público da ciência para dar às empresas. Outros atiram, eles vão desviar incentivos das empresas para dar aos cientistas. Quero dizer-vos hoje, de forma muito clara, que esta é uma falsa escolha.”

“Precisamos muito das duas e sobretudo das duas em conjunto”, acrescentou o presidente, dando como exemplo ecossistemas mais inovadores, onde o conhecimento circula “entre empresas e universidades, entre laboratórios e hospitais, entre engenheiros e artistas, entre investigadores e investidores, entre ‘startups’ e grandes empresas”.

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Por isso, acredita que a “grande missão da próxima década” será criar mais ligações e mais condições para que o conhecimento crie “mais valor para todos”, afirmou, antes de apresentar três objetivos da AI².

O presidente da AI² defendeu ainda um maior investimento privado em investigação e inovação. “O teste de um ecossistema saudável é saber se as empresas estão dispostas a investir os seus próprios recursos em investigação e inovação”, afirmou, considerando que isso demonstra confiança no retorno do conhecimento e disponibilidade para assumir risco.

“Um ecossistema saudável é aquele em que o Estado, as regiões, as empresas e as instituições científicas investem em conjunto para reduzir o risco de procurar soluções novas para os problemas reais da sociedade”, sustentou.

Segundo João Barros, mais de dois mil participantes estão inscritos no encontro, que decorre até quinta-feira em Lisboa, com 20 sessões temáticas. Das 206 propostas recebidas, a maioria resulta “da colaboração entre centros de investigação, empresas e organizações setoriais”, revelou.

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