Só duas em cada 10 empresas portuguesas pagam a tempo e Portugal é dos piores do mundo nos atrasos

Apenas 20,2% das empresas portuguesas cumprem os prazos de pagamento acordados com os fornecedores, colocando Portugal entre os países com pior desempenho a nível mundial nesta matéria.

André Manuel Mendes

Apenas 20,2% das empresas portuguesas cumprem os prazos de pagamento acordados com os fornecedores, colocando Portugal entre os países com pior desempenho a nível mundial nesta matéria.

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Os dados constam da 12.ª edição do estudo sobre o Comportamento de Pagamento das Empresas em Portugal, da Informa D&B, referente a maio de 2026.

Segundo o estudo, 65,2% das empresas liquidam as suas faturas com um atraso até 30 dias, enquanto 9% demoram entre 30 e 90 dias. Já 5,6% ultrapassam os 90 dias de atraso, um indicador que melhorou durante a pandemia, mas que permanece praticamente inalterado desde 2022.

No contexto internacional, Portugal ocupa o penúltimo lugar entre 37 países analisados no relatório da Cribis, elaborado em parceria com a Dun & Bradstreet Worldwide Network e referente a dezembro de 2025. Apenas a Bulgária apresenta um desempenho inferior no cumprimento dos prazos de pagamento.

A diferença face à média da União Europeia continua a aumentar. Após a entrada em vigor da Diretiva Europeia de Pagamentos, transposta para a legislação nacional em 2013, a percentagem de empresas europeias que cumprem os prazos foi crescendo até atingir os 52% no final de 2025. Em Portugal, esse valor permanece nos 20,2%, traduzindo uma diferença de quase 32 pontos percentuais, a maior de sempre.

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Os atrasos verificam-se em todos os setores de atividade, embora com intensidades distintas. O comércio grossista apresenta o menor atraso médio, de 19 dias, enquanto o setor do alojamento e da restauração regista o pior desempenho, com um atraso médio de 30 dias. É também nesta atividade que se encontra a menor percentagem de empresas cumpridoras, apenas 11%.

Por dimensão, são as grandes empresas que menos cumprem os prazos acordados: apenas 4% pagam dentro do prazo estabelecido. Ainda assim, este segmento apresenta uma menor incidência de atrasos superiores a 90 dias, sugerindo um comportamento mais previsível e um menor risco de incumprimento grave. À medida que diminui a dimensão das empresas, aumenta a percentagem das que conseguem cumprir os prazos de pagamento.

O estudo alerta ainda para o agravamento do risco de atrasos prolongados. De acordo com o indicador de Risco Delinquency da Informa D&B, existem atualmente cerca de 66 mil empresas portuguesas — o equivalente a 12% do tecido empresarial — com risco médio-alto ou elevado de atrasarem pagamentos em mais de 90 dias a pelo menos um credor. Há um ano, esse universo era de cerca de 43 mil empresas, o que representa um crescimento significativo.

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