Ganha 4,7 milhões, mas sai da loja sem saber: vendedor esconde bilhete premiado e acaba condenado

Tribunal Provincial condenou o vendedor a três anos, seis meses e um dia de prisão por ter ficado com o bilhete vencedor, no valor exato de 4.722.337,75 euros

Executive Digest

Um prémio de mais de 4,7 milhões de euros transformou-se num caso de fraude em A Coruña, depois de o proprietário de uma casa de lotarias ter escondido de um cliente que um dos seus boletins da La Primitiva tinha sido premiado.

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Segundo o ‘HuffPost’, o Tribunal Provincial condenou o vendedor a três anos, seis meses e um dia de prisão por ter ficado com o bilhete vencedor, no valor exato de 4.722.337,75 euros.

O cliente, um jogador habitual da lotaria espanhola, dirigiu-se ao estabelecimento para verificar vários boletins. Entre eles estava o primeiro prémio do sorteio realizado a 30 de junho de 2012.

Quando o bilhete foi introduzido no terminal, a máquina apresentou a indicação “Prémio Superior” e emitiu um comprovativo que deveria ter sido entregue ao apostador. O vendedor, porém, não revelou o resultado e levou o cliente a acreditar que nenhum dos boletins tinha sido premiado.

O homem saiu da loja sem o bilhete, sem o comprovativo e sem saber que tinha acabado de ganhar uma fortuna. O tribunal considerou que o arguido montou uma “estratégia enganosa” para se apropriar do prémio.

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De acordo com a decisão citada pelo ‘HuffPost’, o vendedor percebeu que um dos boletins tinha um prémio elevado, mas, devido à agitação do momento, não conseguiu separá-lo imediatamente dos restantes. Minutos depois, voltou a verificá-lo duas vezes para confirmar o resultado e apurar o montante.

Após fechar o estabelecimento, dirigiu-se à delegação provincial de lotarias, dirigida pelo irmão, e alegou ter encontrado o bilhete entre vários recibos. Os juízes consideraram que esta versão foi inventada para justificar a posse do boletim e permitir que o prémio fosse reclamado posteriormente.

O irmão acabou absolvido dos crimes de ocultação e branqueamento de capitais, uma vez que não ficou provado que tivesse participado no engano ou soubesse da verdadeira origem do bilhete.

O proprietário da casa de lotarias foi condenado por fraude agravada. Para o tribunal, não se limitou a guardar um boletim que não lhe pertencia: enganou diretamente o cliente, fazendo-o acreditar que não tinha ganho qualquer prémio.

Além da pena de prisão, ficou proibido de exercer atividades profissionais relacionadas com lotarias e apostas do Estado durante o período da condenação. Terá ainda de pagar uma multa correspondente a nove meses e um dia.

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Em matéria de responsabilidade civil, o vendedor e a Sociedade Estatal de Lotarias e Apostas terão de pagar ao apostador os 4.722.337,75 euros do prémio.

A decisão ainda não transitou em julgado e poderá ser contestada no Supremo Tribunal. Para o verdadeiro vencedor, mais de uma década depois do sorteio, o prémio que parecia ter desaparecido poderá finalmente deixar de ser apenas uma fortuna escondida atrás do balcão.

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