O Governo do Reino Unido anunciou esta segunda-feira a proibição da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC, na sigla em inglês), classificando oficialmente a organização como grupo terrorista ao abrigo da nova legislação de segurança nacional. A decisão surge na sequência da identificação, pelas autoridades britânicas, de atividades associadas à organização iraniana que envolveram alegadas ameaças à vida e ações de intimidação em território do Reino Unido. Com a entrada em vigor das novas medidas, passa a ser ilegal apoiar, promover ou colaborar com a IRGC, estando previstas penas que podem atingir a prisão perpétua.
O anúncio foi feito pela ministra da Segurança, Angela Eagle, que justificou a decisão com a natureza e o alcance das atividades atribuídas à Guarda Revolucionária. Segundo a governante, “foram identificadas atividades ligadas à IRGC que envolveram ameaças à vida e intimidação em solo britânico”. Angela Eagle sublinhou ainda que o papel da organização “vai muito além do de uma força militar convencional”, acrescentando que “inclui atividades de inteligência, a utilização de agentes por procuração e a projeção de influência destinada a promover os objetivos do Estado iraniano”.
A decisão concretiza o compromisso assumido em abril pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que anunciou a intenção de classificar formalmente a Guarda Revolucionária como organização terrorista. A medida foi agora enquadrada na Lei de Segurança Nacional (Ameaças Estatais) de 2026, aprovada através de um processo legislativo acelerado no Parlamento britânico. Ao abrigo desta legislação, passa a constituir crime incentivar ou manifestar apoio à IRGC, prestar assistência às suas atividades em território britânico ou aceitar qualquer benefício material proveniente da organização. A pena máxima prevista para estes crimes é a prisão perpétua.
Em paralelo com o anúncio, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper, convocou esta segunda-feira o embaixador do Irão no Reino Unido, Seyed Ali Mousavi, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico. Segundo a chefe da diplomacia britânica, os serviços de informações iranianos “planearam e executaram operações perigosas e potencialmente letais” em território do Reino Unido, reforçando as preocupações do Governo relativamente à atuação de Teerão.
Além da Guarda Revolucionária, o Reino Unido decidiu igualmente proibir o Movimento Islâmico dos Companheiros da Direita, organização ligada a Teerão que reivindicou a responsabilidade por sete ataques contra locais no Reino Unido associados às comunidades judaica e israelita. De acordo com Angela Eagle, estas ações “causaram verdadeiro medo e angústia” junto das comunidades visadas. A ministra acrescentou ainda que a Guarda Revolucionária “quase de certeza dirigiu” esses ataques, argumento que reforçou a decisão do Executivo britânico de endurecer significativamente a sua resposta às atividades atribuídas ao Irão em território nacional.














