Mercado global de fusões e aquisições acelera 41% e prepara-se para alcançar o segundo melhor ano de sempre

O mercado mundial de fusões e aquisições (M&A) continua a reforçar a recuperação iniciada em 2025 e está a caminho de registar o segundo melhor ano de sempre.

Executive Digest

O mercado mundial de fusões e aquisições (M&A) continua a reforçar a recuperação iniciada em 2025 e está a caminho de registar o segundo melhor ano de sempre. De acordo com o M&A Midyear Report 2026, divulgado esta segunda-feira pela Bain & Company, o valor global das transações aumentou 41% nos primeiros cinco meses de 2026, face ao mesmo período do ano anterior, atingindo os 2,4 biliões de dólares. Depois de o mercado já ter crescido cerca de 40% em 2025, para 4,9 biliões de dólares — o segundo valor anual mais elevado de sempre —, a tendência mantém-se transversalmente a geografias e setores, refletindo uma transformação estratégica das empresas num contexto marcado pela inteligência artificial (IA) e pela persistência da incerteza económica e geopolítica.

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Segundo a consultora, as empresas recorrem cada vez mais às operações de M&A para ganhar escala, reforçar competitividade, aumentar eficiência e acelerar o crescimento. No entanto, esta nova fase do mercado apresenta um paradoxo: ao mesmo tempo que as grandes aquisições permitem construir organizações mais robustas e resilientes, a transformação impulsionada pela IA torna os processos de integração significativamente mais exigentes. “A recuperação do mercado de M&A em 2025 não foi um episódio isolado e a lógica estratégica por detrás desta dinâmica só ganhou força”, afirma Álvaro Pires, partner da Bain & Company. “As empresas estão a avançar para grandes operações de forma a garantir escala e capacidades de que precisam para competir. O desafio é que o boom da IA, que está a impulsionar muitas destas transações, também está a tornar mais complexa a sua execução.”

A recuperação está a estender-se praticamente a toda a economia mundial. O valor global das operações aumentou 36% desde o início do ano, enquanto o número de negócios cresceu apenas 2%, sinalizando uma forte valorização das transações de maior dimensão. Energia e recursos naturais, indústria e saúde e ciências da vida surgem entre os setores que mais contribuíram para o crescimento do valor das operações. Em sentido contrário, os investidores financeiros registaram um início de ano mais moderado, com uma redução de 9% no valor das operações realizadas até maio.

Já o segmento do venture capital revelou uma dinâmica particularmente expressiva. Segundo o relatório, o venture capital e o corporate venture capital cresceram 206%, impulsionados sobretudo pela ronda de financiamento da OpenAI, avaliada em 122 mil milhões de dólares, bem como pelo aumento de 36% no número de operações realizadas. Paralelamente, as chamadas megatransações — negócios superiores a 10 mil milhões de dólares — continuam a dominar o mercado, com um crescimento de 52% no número de operações e de 53% no respetivo valor. A Bain observa igualmente uma alteração na forma de financiamento destes negócios, com um maior recurso a combinações de ações e numerário, enquanto as aquisições financiadas exclusivamente em dinheiro perderam peso.

A Europa destacou-se como um dos principais motores deste crescimento durante a primeira metade do ano. Na região EMEA (Europa, Médio Oriente e África), as megatransações impulsionaram uma subida homóloga de 77%, refletindo a aposta das empresas em operações estratégicas destinadas a reforçar a competitividade nos mercados europeu e internacional. Entre os exemplos apontados pela Bain encontram-se a oferta conjunta de 24 mil milhões de dólares da Orange, Bouygues e Iliad pela Altice France, a nova tentativa do UniCredit para adquirir o Commerzbank e ainda a proposta de aquisição da TK Elevator pela finlandesa Kone, avaliada em 34,4 mil milhões de dólares.

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O relatório destaca ainda que a inteligência artificial está a alterar profundamente a forma como as empresas planeiam e executam operações de fusões e aquisições, muito para além do setor tecnológico. Um dos exemplos referidos é a proposta de fusão, no valor de 119 mil milhões de dólares, entre a NextEra Energy e a Dominion Energy, motivada, em parte, pela crescente procura energética associada aos centros de dados dedicados à IA. Segundo a Bain, responder a este novo contexto exige estratégias plurianuais que conciliem crescimento por aquisições com investimentos em processos, equipas e ferramentas apoiadas por inteligência artificial. A consultora lembra que as grandes operações podem demorar três anos ou mais até à integração completa, sendo que negócios superiores a 10 mil milhões de dólares necessitam, em média, de cerca de sete meses para serem concluídos e entre 24 e 36 meses para materializarem a maior parte das sinergias previstas.

Para Álvaro Pires, a inteligência artificial está também a redefinir o conceito de sucesso nas operações de M&A. “As integrações sempre envolveram riscos e oportunidades e, numa altura em que a IA está a elevar a fasquia, vão ser as empresas que veem a transação como uma oportunidade para acelerar esta transformação as que vão marcar a diferença no novo contexto de M&A”, conclui. Segundo a Bain & Company, a capacidade para combinar integração empresarial, transformação digital e adoção da inteligência artificial será determinante para o desempenho das organizações num mercado que continua a recuperar para níveis historicamente elevados.

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